A Tailândia deve exumar centenas de corpos enterrados depois do tsunami de dezembro, reiniciando a árdua tarefa de identificar milhares de cadáveres, inclusive de muitos turistas estrangeiros desaparecidos.
Na Indonésia, o envio de ajuda a milhares de sobreviventes e desabrigados parou depois de um acidente de helicóptero e de um forte terremoto na ilha de Sumatra, no norte do país.
A população da cidade de Banda Aceh, devastada pelo maremoto, fugiu em pânico das casas e albergues por causa de um tremor sentido durante a madrugada e que despertou o trauma do enorme terremoto de 26 de dezembro, que provocou ondas gigantescas em toda a Ásia e no leste da África.
Pelo menos 156 mil pessoas morreram na tragédia. Só na província de Aceh, ao norte de Sumatra, foram cerca de 100 mil mortos. As ondas mataram ainda cerca de 30 mil pessoas no Sri Lanka, 15 mil na Índia, mais de 5.000 na Tailândia e várias outras nas Maldivas, em Mianmar, em Bangladesh e na África.
A Tailândia, onde centenas de turistas estrangeiros morreram, prometeu exumar mais de 600 corpos que foram enterrados às pressas. O objetivo é que eles sejam submetidos a novos exames forenses. Mais de 2.000 dos 5.303 mortos confirmados na tragédia ainda não foram identificados no país. As autoridades disseram que todas as identificações serão refeitas.
Dos 2.159 corpos não-identificados, 1.974 morreram na província litorânea de Phang Nga, onde o tsumami destruiu hotéis da praia de Khao Lak, que estava repleta de turistas. Também há vários mortos em uma aldeia de pescadores onde viviam centenas de pessoas.
Uma importante autoridade no centro nacional de desastres da ilha de Phuket, próxima a Phang Nga, disse que a identificação racial das vítimas estava sendo frequentemente feita apenas de forma visual.
"A partir de agora, quando dizemos que podemos identificá-los, devemos saber seus nomes e ter algum tipo de documento para verificar a identificação", disse essa fonte, que pediu anonimato.
A Suécia, que teve centenas de turistas mortos pelo tsunami, realizou uma cerimônia fúnebre em memórias das vítimas. Há cerca de 200 anos o país, que ficou neutro nas duas guerras mundiais do século 20, não tinha uma tragédia como essa.
Após 15 dias do tsunami, quando praticamente já não há esperanças de encontrar sobreviventes, o mundo recebeu uma boa notícia. Um cargueiro resgatou um indonésio que estava à deriva no oceano Índico -- é o terceiro caso desse tipo.
O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, sobrevoou áreas atingidas pela tragédia nas Maldivas. As autoridades do arquipélago dizem que o litoral ficou desfigurado e levará décadas para se reconstituir. "Saio daqui com a compreensão muito clara dos seus problemas", disse Annan em entrevista coletiva após a visita.
Governo e agências humanitárias já prometeram mais de 5 bilhões de dólares em ajuda aos países atingidos. Empresas e indivíduos prometem colaborar com 1,5 bilhão de dólares.