Rio de Janeiro, 06 de Setembro de 2026

Tablets devem incentivar indústria de componentes

Quinta, 26 de Maio de 2011 às 10:10, por: CdB

O governo federal está empenhado em estimular a produção de tablets no Brasil. Esta é uma decisão certa e necessária. Principalmente quando se situa no âmbito de uma política nacional e de maior alcance. Como disse o ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), em entrevista ao Estadão, sua produção será apenas a "ponta do iceberg de uma política industrial muito ambiciosa".

Pimentel considera que as exigências impostas pelo governo às empresas, para que estas obtenham redução de tributos, podem resultar na criação de uma indústria de componentes e semicondutores no país. Ele prevê, ainda, que nos próximos quatro ou cinco anos, o Brasil será uma plataforma para a exportação de produtos de tecnologia para todo o continente.

Nova política industrial

A propósito, o governo prometeu anunciar em junho a sua nova política industrial. Ela deverá prever estímulos à associação entre empresas nacionais e estrangeiras para a instalação de fábricas no território nacional. Doze empresas já manifestaram o interesse de produzir tablets no Brasil. Tudo indica que seremos, como defende o ministro, "o primeiro país do mundo a receber uma fábrica de displays fora da Ásia". Isso será possível graças à exigência do Processo Produtivo Básico (PPB). Suas regras estão, por exemplo, obrigando a Foxconn a trazer uma fábrica de displays para o país.

Segundo Pimentel, na proposta do PPB dos tablets, encaminhada pela sua pasta à Casa Civil, o percentual de utilização de conteúdo nacional é mais rigoroso do que no caso dos notebooks. Até 2014, por exemplo, metade dos componentes desses equipamentos deverá ser nacional. O percentual de nacionalização dos carregadores das baterias deverá ser de 50% no ano que vem e de 80% em 2013.

As exigências de índice de nacionalização dizem respeito, também, às placas de rede sem fio (50% em 2013 e 80% em 2014) e às placas-mãe (50% de produção nacional neste ano, 80% em 2012, e 95% em 2013).

Como se vê, o índice de nacionalização previsto é alto e crescente. O próprio ministro reconhece que "é uma exigência pesada", mas garante, como contrapartida, a isenção de PIS e Cofins, além da redução da alíquota do IPI de 15% para 3%. Segundo o ministro, o Brasil, além de ser confiável para os investimentos, conta hoje com a criação de um mercado consumidor. Aproveito para fazer minhas as suas palavras quando diz: "se soubermos dosar bem as coisas, vamos virar um país de ponta".

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