Rio de Janeiro, 25 de Maio de 2026

Syngenta prevê mais ganhos com a ferrugem da soja

Terça, 24 de Maio de 2005 às 12:29, por: CdB

A ferrugem asiática, doença fúngica que destruiu cerca de 10% da safra de soja da América Latina há dois anos, deverá incrementar novamente neste ano os lucros da suíça Syngenta, uma das maiores do setor agroquímico.

Um executivo da empresa, que compete com a alemã Bayer pela liderança mundial no segmento de sementes e produtos para lavouras, estimou que a Syngenta vai ficar com uma fatia de 25% do mercado para fungicidas para ferrugem nas Américas, estimado este ano em quase 1 bilhão de dólares.

- Essa doença se espalha muito rápido e nossa avaliação é de que poderemos ter um mercado esse ano de cerca de 300 milhões de dólares nos Estados Unidos e de 650 milhões de dólares na América Latina - afirmou à Reuters o brasileiro Valdemar Fischer, chefe da Syngenta Crop Protection para a região do Nafta (Área de Livre Comércio da América do Norte).

A doença, que tem afetado a soja no Brasil desde 2001, chegou aos Estados Unidos apenas no ano passado e muitos acreditam que ela aparecerá em várias áreas de soja na parte mais ao Sul dos EUA na atual safra. Com base nisso, analistas têm projetado grandes lucros para a Syngenta e também para as rivais alemãs Bayer e Basf .

- É difícil dar um número, mas nós esperamos ter uma boa fatia deste mercado. Talvez um pouco mais de 25% - afirmou Fischer, antigo chefe da Syngenta Crop Protection para a América Latina e que foi promovido para a região do Nafta no final de 2004.

A ferrugem asiática, ou Phakopsora pachyrhizi (seu nome científico), foi detectada pela primeira vez na área continental dos Estados Unidos em novembro do ano passado, em Louisiana, e se espalhou para mais 10 Estados do país até o fim do ano.

Ela provoca o amarelecimento das folhas da planta e pode reduzir a produtividade em até 80 por cento se não for controlada rapidamente, com a aplicação de fungicida.

Na safra 2003/2004, a doença infestou várias regiões no Brasil e causou perdas de 4,5 milhões de toneladas de soja. O prejuízo dos produtores, incluindo o custo extra para a compra dos fungicidas, chegou a 1,3 bilhão de dólares.

Fischer afirmou que na safra atual do Brasil, que está praticamente toda colhida, o uso intensivo de fungicidas reduziu bastante as perdas potenciais. Segundo ele, cerca de 90% das lavouras do país receberam pulverizações, uma área de 21 milhões de hectares.

A maior parte dos 17 milhões de hectares cultivados na Argentina e no Paraguai também foi tratada.

- Nós não acreditamos em perdas sérias nesta safra, porque praticamente toda a área de cultivo foi tratada preventivamente.

O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) acredita que a ferrugem tenha chegado aos EUA no ano passado levada pelos vários furacões. A doença sobreviveu ao inverno em Estados sulistas e poderá chegar a 15 outros Estados durante a safra. A soja deve cobrir 30 milhões de hectares na América do Norte neste ano.

Fischer contestou um relatório distribuído pelo governo norte-americano informando que se houver uma grande infestação de ferrugem talvez falte fungicida.

- A indústria tem se preparado e estocado produtos por cerca de 2 anos. Temos trabalhado com o governo para garantir que tenhamos as ferramentas para o combate da doença - afirmou.

- Considerando o padrão normal da doença em um primeiro ano, acredito que a indústria terá produto suficiente para os agricultores.

Ele afirmou que a Syngenta já teve aprovado pelo governo dos EUA o uso do fungicida curativo "Quilt" em 24 Estados e que espera a aprovação pela EPA (Environmental Protection Agency, agência do governo que cuida de questões ambientais) do "Quadris Xtra", outro produto que se mostrou eficiente na América do Sul.

- Nós esperamos conseguir a aprovação ainda para esta temporada, mas o tempo está acabando - afirmou.

- E os agricultores vão precisar de toda ajuda que eles puderem conseguir.

A Sy

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