Gercino Silva, ouvidor agrário nacional, impetrou ação, juntamente com os advogados da Comissão Pastoral da Terra e o Ministério Público, no Tribunal de Justiça de Pernambuco, solicitando que seja cumprida a decisão do desembargador Nelson Reis, que determinou a suspensão de liminar de reintegração e posse do Engenho Prado, no município de Tracunhaém, a 63 km do Recife. Na última quinta-feira, 300 famílias de sem-terra foram expulsas de suas casas, numa operação que contou com 350 policiais do Batalhão de Choque da Polícia Militar. O ouvidor considerou a ação injusta e ilegal, alegando que os sem-terra, por ocuparem a área há mais de seis anos, eram posseiros e não invadores. Ele disse que as benfeitorias como casas, escolas, igreja e lavouras não poderiam ter sido destruídas. Gercino Silva pediu ao desembargador Ivonaldo Miranda que observase a questão com cuidado, por se tratar da área de conflito agrário de maior tensão no estado. O magistrado prometeu dar um parecer para o caso o mais rápido possível. Os secretários estaduais de Produção Rural, Gabriel Maciel, e de Defesa Social, Gustavo Lima, asseguraram que não haverá despejo na área até a divulgação da decisão judicial. Os trabalhadores sem terra estão abrigados provisoriamente em barracas plásticas, tentando reconstruir as moradias e as lavouras destruídas por tratores dos proprietários das terras, que pertencem ao grupo João Santos.
Suspensa liminar de reintegração de posse do Engenho Prado
Sábado, 05 de Julho de 2003 às 16:38, por: CdB