A ordem de prisão domiciliar contra o ex-presidente chileno Augusto Pinochet foi suspensa na noite desta segunda após a Corte de Apelações de Santiago acatar um recurso dos advogados do general. A prisão, ordenada pelo juiz Juan Guzmán Tapia devido aos crimes de guerra atrelados à Operação Condor, não terá vigência até que a Corte de Apelações se pronuncie sobre o recurso e determine sua validade ou não.
Em uma resolução de 70 páginas, o juiz pedia que Pinochet, 89 anos, fosse julgado por nove seqüestros e um homicídio qualificado. Guzmán descartou que a saúde mental de Pinochet o impedia de enfrentar um julgamento e destacou "sua coerência, a compreensão das perguntas" e suas "respostas atinadas" durante o interrogatório feito no dia 25 de setembro.
Ao confirmar sua resolução, o juiz afirmou que "não foi difícil" tomá-la. "Quando estudei bem todas as declarações e todos os elementos de julgamento que tinha à vista, além das percepções pessoais que tive, não foi difícil", afirmou.
Os advogados de defesa de Pinochet insistiram, no entanto, que o ex-ditador não está em condições de enfrentar um julgamento e afirmaram que entrariam com um pedido de habeas-corpus ante a Corte de Apelações de Santiago.
A Operação Condor foi um plano secreto executado pelas ditaduras militares sul-americanas nos anos 70 para eliminar os seus opositores. Centenas dessas pessoas permanecem desaparecidas na Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai.