A polícia do Rio Grande do Sul fez neste fim de semana a reconstituição dos assassinatos de quatro crianças em Soledade que foram confessados pelo paranaense Adriano da Silva, 25 anos, que confessou outras oito mortes de menores no norte do Estado. Com a simulação, a polícia confirmou que o homem matou uma das vítimas e praticamente descartou que ele tenha cometido outro crime. Segundo a polícia, nas outras duas mortes, se foram cometidas por Adriano, houve a participação de outras pessoas.
Das quatro mortes registradas na cidade, apenas uma está comprovadamente vinculada ao matador - a de Douglas de Oliveira Haas, cujo corpo foi encontrado depois de o suspeito ter indicado o local. Na tarde de ontem, Adriano informou os detalhes do assassinato do menino. Ele encenou o crime em um moinho, e explicou como conduziu o garoto por cem metros até enterrá-lo sob a churrasqueira de uma casa no centro de Soledade.
Ontem pela manhã, Adriano da Silva indicou onde e como teria asfixiado João Marcos Godois. O trabalho de reconstituição começou com a indicação do local onde o paranaense teria matado o garoto. Adriano disse que estrangulou o menino com uma corda de náilon. A perícia da morte do garoto havia revelado que João Marcos foi morto por afogamento.
Adriano disse que cometeu sozinho o assassinato, apesar de outras pessoas terem assumido a autoria do homicídio. A polícia investiga se há alguma ligação entre Adriano e os seis indivíduos que foram presos pelas mortes de crianças de Soledade. Adriano repetiu ontem que agiu sozinho e que não conhece nenhum desses presos.
De acordo com inquérito conduzido pela Delegacia da Polícia Civil do município, João Marcos teria sido morto por uma quadrilha de traficantes. Dois homens e uma mulher foram indiciados pelo crime, agora confessado pelo paranaense. Dois dos acusados pela morte de João marcos disseram à polícia detalhes da morte que coincidem com as informações da perícia.
As outras duas mortes em Soledade, de Cassiano Rosa, nove anos, e Jeferson Cristiano Jora Garcia, 12, também foram simuladas ontem. Conforme a polícia, se Adriano está envolvido nestas mortes, ele teve a colaboração de outras pessoas. Adriano não soube apontar com precisão os locais onde enterrou esses dois garotos. A perícia foi feita no matagal de um bairro do município, onde os corpos foram enterrados. Mais de 20 policiais isolaram a área.
Cassiano Rosa desapareceu no dia 28 de março do ano passado, em Soledade. Seu corpo foi encontrado em 2 de agosto, jogado num matagal no bairro Fontes. O laudo de necropsia apontou uma lesão no crânio. Ele teria sido executado pela mesma quadrilha que matou João Marcos. Quatro homens foram indiciados pelo crime, e duas adolescentes respondem a procedimento especial.
Jeferson Cristiano Jora Garcia, 12 anos, desapareceu em 31 de março, em Soledade. Seu corpo foi encontrado em 4 de agosto do ano passado e as perícias não puderam revelar a causa da morte. Também teria sido executado pela mesma quadrilha que matou Cassiano.
A polícia prossegue hoje com a reconstituição dos crimes que teriam sido praticados pelo paranaense Adriano da Silva, 25 anos, nas cidades de Sananduva, Passo Fundo e Lagoa Vermelha.
Polícia evita revolta da população
Para evitar que a revolta da população de Soledade colocasse em risco os trabalhos de reconstituição, o diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), João Paulo Martins, dividiu em dois dias o trabalho de reconstituição dos quatro homicídios no município.
Adriano Silva foi transferido da Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas para Soledade. No esquema de segurança, a polícia usou atiradores de elite e cachorros.
Adriano orientou o comboio pelas ruas da cidade, repetindo o trajeto feito com o menino Godois antes de matá-lo. De acordo com a polícia, alguns detalhes coincidem com as informações reveladas pelos suspeitos já detidos, mas existem dados divergentes.