Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Suspeito pode não ter matado 12 crianças no RS

A polícia do Rio Grande do Sul fez neste fim de semana a reconstituição dos assassinatos de quatro crianças em Soledade que foram confessados pelo paranaense Adriano da Silva, 25 anos, que confessou outras oito mortes de menores no norte do Estado. (Leia Mais)

Segunda, 12 de Janeiro de 2004 às 08:28, por: CdB

A polícia do Rio Grande do Sul fez neste fim de semana a reconstituição dos assassinatos de quatro crianças em Soledade que foram confessados pelo paranaense Adriano da Silva, 25 anos, que confessou outras oito mortes de menores no norte do Estado. Com a simulação, a polícia confirmou que o homem matou uma das vítimas e praticamente descartou que ele tenha cometido outro crime. Segundo a polícia, nas outras duas mortes, se foram cometidas por Adriano, houve a participação de outras pessoas.

Das quatro mortes registradas na cidade, apenas uma está comprovadamente vinculada ao matador - a de Douglas de Oliveira Haas, cujo corpo foi encontrado depois de o suspeito ter indicado o local. Na tarde de ontem, Adriano informou os detalhes do assassinato do menino. Ele encenou o crime em um moinho, e explicou como conduziu o garoto por cem metros até enterrá-lo sob a churrasqueira de uma casa no centro de Soledade.

Ontem pela manhã, Adriano da Silva indicou onde e como teria asfixiado João Marcos Godois. O trabalho de reconstituição começou com a indicação do local onde o paranaense teria matado o garoto. Adriano disse que estrangulou o menino com uma corda de náilon. A perícia da morte do garoto havia revelado que João Marcos foi morto por afogamento.

Adriano disse que cometeu sozinho o assassinato, apesar de outras pessoas terem assumido a autoria do homicídio. A polícia investiga se há alguma ligação entre Adriano e os seis indivíduos que foram presos pelas mortes de crianças de Soledade. Adriano repetiu ontem que agiu sozinho e que não conhece nenhum desses presos.

De acordo com inquérito conduzido pela Delegacia da Polícia Civil do município, João Marcos teria sido morto por uma quadrilha de traficantes. Dois homens e uma mulher foram indiciados pelo crime, agora confessado pelo paranaense. Dois dos acusados pela morte de João marcos disseram à polícia detalhes da morte que coincidem com as informações da perícia.

As outras duas mortes em Soledade, de Cassiano Rosa, nove anos, e Jeferson Cristiano Jora Garcia, 12, também foram simuladas ontem. Conforme a polícia, se Adriano está envolvido nestas mortes, ele teve a colaboração de outras pessoas. Adriano não soube apontar com precisão os locais onde enterrou esses dois garotos. A perícia foi feita no matagal de um bairro do município, onde os corpos foram enterrados. Mais de 20 policiais isolaram a área.

Cassiano Rosa desapareceu no dia 28 de março do ano passado, em Soledade. Seu corpo foi encontrado em 2 de agosto, jogado num matagal no bairro Fontes. O laudo de necropsia apontou uma lesão no crânio. Ele teria sido executado pela mesma quadrilha que matou João Marcos. Quatro homens foram indiciados pelo crime, e duas adolescentes respondem a procedimento especial.

Jeferson Cristiano Jora Garcia, 12 anos, desapareceu em 31 de março, em Soledade. Seu corpo foi encontrado em 4 de agosto do ano passado e as perícias não puderam revelar a causa da morte. Também teria sido executado pela mesma quadrilha que matou Cassiano.

A polícia prossegue hoje com a reconstituição dos crimes que teriam sido praticados pelo paranaense Adriano da Silva, 25 anos, nas cidades de Sananduva, Passo Fundo e Lagoa Vermelha.

Polícia evita revolta da população

Para evitar que a revolta da população de Soledade colocasse em risco os trabalhos de reconstituição, o diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), João Paulo Martins, dividiu em dois dias o trabalho de reconstituição dos quatro homicídios no município.

Adriano Silva foi transferido da Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas para Soledade. No esquema de segurança, a polícia usou atiradores de elite e cachorros.

Adriano orientou o comboio pelas ruas da cidade, repetindo o trajeto feito com o menino Godois antes de matá-lo. De acordo com a polícia, alguns detalhes coincidem com as informações reveladas pelos suspeitos já detidos, mas existem dados divergentes.

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