O empresário Gilberto Lucena, diretor da Linknet – empresa envolvida no Escândalo dos Panettones – acusado de prover os recursos que irrigaram um esquema de propinas do qual participariam desde o governador da Distrito Federal, José Roberto Arruda (ex-DEM, atualmente sem partido) até secretários e parlamentares, conseguiu junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) liminar para ficar em silêncio, nesta terça-feira, ao depor nesta terça-feira na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. A Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, situa a Linknet como uma das principais operadoras do esquema de arrecadação e pagamento de propina no DF.
Ao longo do ano passado, Lucena foi flagrado junto com o o ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa, delator do esquema, em gravações nas quais negocia a distribuição dos recursos para o propinoduto do DEM, ao mesmo tempo em que reclamava do quanto era obrigado a pagar aos políticos corruptos da Capital Federal. Por decisão do presidente do STF, Gilmar Mendes, no entanto, Lucena será tratado como investigado pela PF e teve assegurado o direito de ser acompanhado e assistido por advogado, falar com o advogado a qualquer tempo, não firmar compromisso na qualidade de testemunha e permanecer calado por quanto tempo quiser.
Segundo a defesa, os advogados não tiveram acesso ao conteúdo dos documentos entregues ao Ministério Público, embora os tenham requerido por duas vezes. Em petição, Lucena alega ter "justo receio de ser submetido a constrangimento ilegal, com exigência de firmar termo de compromisso próprio de testemunha a não ser respeitado seu direito ao silêncio e assistência de advogado".
Ainda segundo os advogados, Lucena pretende colaborar com a justiça, comparecendo a todos os atos para os quais for devidamente intimado, "porém de forma segura e sem o risco de ver ferido o seu direito a ampla defesa".
Eleição
O comando da Câmara Legislativa do Distrito Federal mudou, nesta terça-feira, após eleição que tirou do PT o comando interino da Casa. Desde a eclosão do Escândalo dos Panettones, no final do ano passado, o presidente da Câmara Distrital, Leonardo Prudente (Ex-DEM, atualmente sem partido) deu lugar ao vice-presidente, Cabo Patrício (PT), ao ser flagrado colocando dinheiro de suposta propina nas meias.
Com o afastamento dos parlamentares suspeitos de integrar o esquema de propina em Brasília, os suplentes convocados também são investigados pela PF por ligações com o esquema de corrupção. A situação mais suspeita é a do médico Roberto Lucena, segundo suplente do PMDB, e irmão Gilberto Lucena, proprietário da empresa Linknet.