O homem acusado do duplo ataque que matou na sexta-feira pelo menos 93 pessoas na Noruega ainda tinha "muita munição" em sua posse ao ser preso, afirmou a polícia neste domingo (24/07.
O acusado, identificado pela mídia norueguesa como Anders Behring Breivik, portava duas armas quando se rendeu às forças especiais da polícia, segundo o chefe da polícia de Oslo, Sveinung Sponheim. Segundo um cirurgião que atendeu a vítimas do massacre, o atirador usou balas dundum, projéteis especiais que se fragmentam e se desfazem dentro do corpo, causando graves lesões internas.
Médicos que trataram 16 pessoas feridas a bala no massacre de sexta-feira até agora não teriam encontrado sequer um projétil inteiro nos corpos dos pacientes, afirmou Colin Poole, o cirurgião-chefe do Hospital Ringriket, da cidade de Honefoss, a noroeste de Oslo.
O esquadrão especial da polícia chegou na ilha de Utøya, perto de Oslo, uma hora após a polícia local ter recebido uma chamada de emergência informando sobre os tiroteios, disse Sponheim.
Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Buscas ainda continuam na ilha do massacreO ataque matou pelo menos 86 pessoas. Breivik também é acusado de ser autor de um atentado ocorrido uma hora antes no centro de Oslo, no qual morreram pelo menos sete pessoas.
Ainda há desaparecidos
O número de mortos nos ataques pode subir, já que cinco pessoas permanecem desaparecidas em Utøya, e a polícia também ainda vasculha os edifícios atingidos pela explosão em Oslo, incluindo escritórios do governo, que foram danificados na explosão. Pelo menos 31 pessoas permanecem no hospital em estado grave.
Em seus depoimentos à polícia, Breivik disse ter realizado os atos sozinho. A polícia está tentando verificar essa informação, disse Sponheim.
O advogado do acusado, Geir Lippestad, não quis comentar sobre possíveis motivos de Breivik, mas disse que seu cliente iria oferecer mais informações na segunda-feira em uma audiência de custódia. Breivik pediu que a audiência seja realizada em público.
Breivik também deve ser examinado por um médico da polícia antes da audiência na segunda-feira. Lippestad disse que não poderia comentar sobre o estado mental de seu cliente.
Homenagens às vítimas
No domingo, o primeiro-ministro norueguês, Jens Stoltenberg, e membros da família real participaram de um serviço religioso para as vítimas na Catedral de Oslo. "Cada uma das mortes é uma tragédia. Combinadas, elas constituem uma tragédia nacional", disse Stoltenberg durante a cerimônia. Outras igrejas ao redor do país também realizaram cultos em memória das vítimas.
Visivelmente emocionado, Stoltenberg mencionou duas vítimas que ele tinha conhecido pessoalmente, dizendo que era "incompreensível" que eles tinham ido embora para sempre.
Membros da liga da juventude do Partido Trabalhista, que organizou o acampamento, também foram ao serviço, televisionado ao vivo para todo o país. Também estavam presentes integrantes do governo, de partidos políticos e membros da família real. Um momento de silêncio foi convocado para ocorrer nesta segunda-feira em toda a Noruega.
Acusado divulgou manifestos
Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Fumaça em prédio após explosão no centro de OsloImpressões sobre os pontos de vista de Breivik aparecem em um manifesto e um vídeo publicados na internet pouco antes da execução dos ataques. A polícia disse que está examinando o manifesto.
O manuscrito de 1.500 páginas, intitulado "Declaração de Independência da Europa", destaca as visões Breivik e contém descrições de seus planos em detalhes. O advogado do suposto atirador, Geir Lippestad, disse à rede de televisão NRK que Breivik tinha trabalhado nele "durante anos".
O texto critica o multiculturalismo e diz como imigrantes, especialmente os muçulmanos, devem ser banidos da Europa. O documento foi assinado com o nome de Andrew Berwick, provavelmente uma versão anglicizada do nome norueguês do acusado.
MD/dpa/dadp