Os serviços de inteligência da Holanda empregaram como informante e ajudaram a esconder um holandês suspeito de ter vendido para o ex-presidente iraquiano Saddam Hussein materiais usados em armas químicas, afirmou um jornal do país europeu na segunda-feira.
O homem foi detido no último dia 6 deste mês dezembro e é suspeito de ter ajudado Saddam a cometer crimes de guerra e genocídio ao fornecer agentes químicos usados na fabricação de armas.
O jornal De Volkskrant disse que as tentativas anteriores da promotoria de prender o homem haviam fracassado porque o Ministério do Interior tinha fornecido um abrigo para o homem. O local é normalmente usado por pessoas que precisam de proteção, como testemunhas.
O serviço de inteligência AIVD desejava obter informações do homem a respeito do programa de armas de Saddam, disse o Volkskrant.A agência não quis fazer comentários sobre a notícia.
O homem foi detido em Milão (Itália), em janeiro de 1989, após um pedido dos EUA, mas acabou libertado dois meses depois. Ele fugiu então para o Iraque, onde supostamente ficou até a invasão realizada pelos norte-americanos, em março de 2003. De lá, regressou para a Holanda.
Krista van Velzen, uma parlamentar do Partido Socialista (oposição), disse que parece ter havido um conflito de interesses entre o AIVD, subordinado ao Ministério do Interior, e as autoridades do Poder Judiciário.
- O AIVD quer protegê-lo. As forças da lei querem processá-lo - disse a parlamentar ao Volkskrant.
O Partido Socialista requisitou a realização de um debate no Parlamento sobre a questão.
O Judiciário decretou a prisão temporária do homem, que não foi formalmente acusado ainda.