Um suspeito de envolvimento na morte da freira norte-americana Dorothy Stang preso no Pará se confessou culpado, confirmou nesta segunda-feira a Polícia Federal.
Rayfran das Neves Sales, suspeito de ser o executor do crime, assumiu ser culpado pelo assassinato da missionária em Anapu, no dia 12 de fevereiro, durante depoimento nesta segunda na Polícia Civil em Altamira.
O delegado Waldir Freire não forneceu mais detalhes e afirmou que:
- A Polícia Civil foi determinada pela Justiça a não mais se manifestar sobre o assunto - segundo a Agência Brasil.
Rayfran das Neves Sales foi detido na noite do domingo, após ser reconhecido por um motoqueiro na região da rodovia Transamazônica, em uma operação das Polícias Civil e Militar, com apoio do Exército. O motoqueiro teria achado Rayfran parecido com alguém que participou do crime contra a religiosa. A prisão foi feita a 35 km de Anapu, local do assassinato.
Autoridades já indiciaram o capataz Amair Feijoli da Cunha, também suspeito de envolvimento na morte. Ele foi indiciado pela Polícia Civil e Federal no Estado, acusado de homicídio qualificado por co-autoria na morte da religiosa.
Na tarde de domingo, Feijoli foi levado para prestar depoimento na delegacia da Polícia Federal de Altamira e depois retornou para o Centro de Recuperação Regional da cidade, onde está preso sob custódia do Sistema Penal do Pará desde sábado.
Outros dois suspeitos ainda estão foragidos.
A morte da missionária naturalizada brasileira e de pelo menos outras três pessoas, entre elas o ex-presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Parauapebas, mobilizou 2.000 homens do Exército para a região e antecipou um pacote ambiental assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na quinta-feira.
Nesta segunda, o presidente voltou a se referir à violência no Pará. Ele reiterou que as políticas agrárias e ambientais do governo têm incomodado grupos madeireiros "reacionários e conservadores", que respondem com violência para resolver os conflitos na região Amazônica, sobretudo no Estado do Pará.
- É abominável que as pessoas ainda achem que um revólver 38 seja a solução para um conflito... Nós não descansaremos enquanto não prendermos os assassinos e prendermos os mandantes para mostrar que no nosso governo não existe impunidade - afirmou Lula no programa de rádio quinzenal Café com o Presidente.
Suspeito assume participação em morte de freira no Pará
Segunda, 21 de Fevereiro de 2005 às 14:24, por: CdB