A difilobotríase, doença causada por um parasita pouco conhecido e de difícil diagnóstico, já foi registrada 18 vezes em São Paulo, neste ano, um aumento significativo dos apenas dois casos registrados entre 1998 e 2004.
O culpado por este surto é o consumo de peixe cru (na forma de sushi ou sashimi, pratos típicos japoneses), defumado ou mal cozido.Os principais sintomas da doença, causada pelo parasita Diphyllobothrium spp, são dor e desconforto abdominal, flatulência e diarréia. Esta é a primeira vez que são registrados casos autóctones de difilobotríase no País, pois os casos anterioresaconteceram com pessoas que haviam comido peixe cru no exterior.
O Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) da Secretaria Estadual de Saúde está para publicar, ainda esta semana, uma portaria que recomenda aos restaurantes mater os peixes congelados por pelo menos 24 horas, a uma temperatura de -18° C, na tentativa de conter o surto. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) também prepara a criação de normas para o consumo e importação de peixe cru no País.
- Ainda não sabemos se a aplicação dessa norma trará resultados. É só uma tentativa de impedir a evolução desse importante surto - afirma o diretor do CVE, Carlos Magno Fortaleza.
Não se sabe ao certo qual a origem do parasita, mas se acredita que o salmão, considerado por especialistas, junto com o robalo, como principal hospedeiro do parasita, e único peixe importado para a produção de sushi e sashimi, seja a fonte da doença.
Embora o diagnóstico da doença seja complicado, até pela raridade no registro do parasita no País, e formas mais graves da difilobotríase possam levar à obstrução intestinal ou do canal biliar, bem como anemia megaloblástica, o seu tratamento é considerado simples. Uma dose única do medicamento praziquantel é suficiente para matar o parasita, segundo o diretor do CVE.