Rio de Janeiro, 12 de Outubro de 2026

Surpresa e polêmica na premiação de Locarno

Domingo, 14 de Agosto de 2011 às 02:31, por: CdB

O filme argentino-suíço “Abrir portas e janelas “ (Back to Stay), de Milagros Mumenthaler, ganhou o Leopardo de Ouro, prêmio principal do Festival Internacional de Locarno, o mais importante da Suíça. O resultado foi uma surpresa para a crítica.

Ao responder a pergunta de um jornalista em coletiva à imprensa acerca da não premiação do documentário “Voo Especial”, do suíço Fernand Melgar, o presidente do júri, Paulo Branco, considerou-o “um filme fascista”.

Sob a direção do francês Olivier Père, o Festival Internacional do Filme de Locarno gosta de surpreender. O júri da edição 2011 confirmou essa tendência ao atribuir um Leopardo de Ouro inesperado a “Abrir portas e janelas”, uma coprodução suíça-argentina.
 
Questionada pela agência de notícias ats, a diretora Milagros Mumenthaler disse que ficou surpresa com a premiação de seu primeiro longa metragem. A última vez que uma produção suíça ganhou o primeiro prêmio em Locarno foi em 2006, com "Das Fräulein" de Andrea Staka.

"Abrir portas e janelas" conta a história de três irmãs de luto pela morte do avô. O filme fala dos receios dúvidas na evolução das três adolescentes, mas é filmado em câmera fixa, exigindo muita pacientes do espectador. Um crítico suíço escreveu que trata-se de “um chimarrão morno, que a gente pode beber, mas que não serve para nada”.
 
Maria Canal, que faz o papel de uma das irmãs, ganhou o prêmio de interpretação feminina do júri de Locarno.
 
Havia 20 filmes em competição e o presidente do júri, Paulo Branco, disse que o filme vencedor é “um sucesso completo e maduro para uma primeira obra”.
 
Milagros Mumenthaler nasceu na Argentina, viveu na Suíça até os 17 anos e depois voltou para o Argentina.

Visita ao embaixador

No segundo concurso em importância em Locarno, dedicado aos "Cineastas do presente",
o leopardo de ouro foi atribuído a "L'estate di Giacomo" do italiano Alessandro Comodin.
 
"O embaixador & eu" de Jan Czarlewski, ganhou o prêmio de melhor curta metragem suíço, escolha que também surpreendeu os críticos.
 
No filme, o próprio , Jan Czarlewski visita eu pai, embaixador da Polônia na Bélgica. O diplomata, extenuado, acaba aprovando o projeto do filho, mas a contragosto.

Polêmica

Enfim o presidente do júri, Paulo Branco, acabou criando polêmica na coletiva à imprensa depois da premiação. Ao responder a pergunta de um jornalista acerca da não premiação do documentário “Voo Especial”, do suíço Fernand Melgar, o presidente do júri, Paulo Branco, considerou-o “um filme fascista por ter dado a palavra aos “carrascos”.
 
Ora, o filme de Melgar, que fala da imigração na Suíça, emocionou o público em Locarno, que não o viu como o presidente do júri. A própria presidente da Suíça, Micheline Calmy-Rey, disse à imprensa que ficou emocionada com o realismo do filme, único documentário em competição em Locarno. Certos críticos elogiaram o filme pelo fato de captar um problema com virtudes humanas e cinematográficas, sem julgar, e que vai causar um debate democrático na Suíça.

Claudinê Gonçalves, swissinfo.ch

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