Duas semanas depois do ataque a brasileiros no Suriname, o governo surinamês concluiu parte das investigações sobre o crime. O Serviço de Inteligência identificou 18 homens apontados como líderes dos 300 quilombolas (descendentes de escravos - os marrons) que comandaram o crime. Entre eles, há vários com passagens pela polícia. À Agência Brasil, o embaixador brasileiro em Paramaribo, José Luiz Machado e Costa, disse que está afastado o risco de novos ataques.
– As autoridades do Suriname garantem que o que houve foi um crime isolado e que as ameaças de novos ataques estão afastadas. Por segurança, foi reforçado o esquema de policiamento em Albina (a 150 quilômetros de Paramaribo, onde houve a agressão aos brasileiros) e no interior do país – disse o embaixador.
– O Serviço de Inteligência está monitorando tudo – disse.
Segundo Machado e Costa, o desafio agora é dar assistência aos brasileiros que estavam em Albina – na madrugada do último dia 24 – e aos demais que vivem no Suriname. De acordo com o embaixador, três ações conjuntas são realizadas: apoiar as vítimas, estimular a legalização de papéis – a maioria está ilegal no país vizinho – e esclarecer sobre as normas e cultura surinamesas.
– Muitos dos que vêm para cá [o Suriname] não têm conhecimento do que é este país multiétnico e de idioma totalmente diferente [cuja língua é o neerlandês], com costumes, normas e leis próprias. O nosso trabalho é também de esclarecimento e orientação. É preciso entender o Suriname para poder viver no país – afirmou.
Por segurança, a Embaixada do Brasil mantém a recomendação para que os brasileiros evitem a região de Paramaribo. Para Machado e Costa, não há um clima de xenofobia contra os brasileiros, mas pode haver estranhamento de um ou outro indivíduo.
– É melhor não arriscar ir até aquela área. Mas um fato é certo: não há preconceito nem restrições aos brasileiros – disse ele.
Desde o ataque na véspera do Natal, o diplomata conversa diariamente com as autoridades surinamesas. Machado e Costa já se reuniu com ministros, representantes da polícia e do Serviço de Inteligência, além de diplomatas do Suriname.
– Há uma preocupação efetiva em apurar o crime e evitar repetições – afirmou.
O ataque promovido pelos quilombolas foi contra 200 brasileiros, chineses e javaneses. Segundo as investigações policiais, o estopim foi o assassinato de um quilombola por um brasileiro em um restaurante. Mas o clima de animosidade entre os marrons e os brasileiros era antigo, uma vez que os quilombolas cobrariam taxas para que os estrangeiros vivessem em Albina.
Para vingar a morte de um dos marrons, o grupo de quilombolas partiu para o ataque. Houve agressões físicas, estupros e depredações de supermercados, da única casa de câmbio da cidade e do principal posto de gasolina.
Suriname identifica 18 líderes do ataque a brasileiros
Sexta, 08 de Janeiro de 2010 às 08:16, por: CdB