A Suprema Corte de Israel determinou que a construção do muro seja suspensa por uma semana. A decisão vem depois de vários pedidos de grupos locais, inclusive de um grupo de 30 moradores israelenses da cidade de Mevasseret Zion (subúrbio de Jerusalém). Segundo eles, o muro vai provocar tensões e piorar as condições de segurança na região.
Com o traçado atual, o muro isolaria completamente cerca de 30 mil palestinos das cidades de Bidou e Beit Surik que ficariam sem contato com Jerusalém e Ramallah. A interrupção é determinada mesmo depois do anúncio, na última quarta-feira, pelo Governo israelense, de que o muro será encurtado em 80km, passando a ter, nos seus traçados atuais, 640km. Na verdade, o que Israel tenta é agradar os Estados Unidos, que já tinham feito várias advertências quanto ao
traçado do muro que ultrapassa, em muito, a "linha verde" (traçado que define as fronteiras com a Cisjordânia).
O Governo israelense, que boicotou a Corte de Haia, enfrenta várias oposições para a construção da barreira. A Cruz Vermelha, com sede na Suiça, advertiu Israel a " não planejar, construir ou manter esse muro no interior do território ocupado". O aviso foi tomado pela comunidade internacional como uma séria advertência frontal de uma organização normalmente neutra.
A Jordânia declarou, em Haia, que teme pela número de imigrantes que tentarâo passar "para o outro lado", já que faz grande fronteira com a Cisjordânia.
Além da oposição natural de países árabes do Oriente Médio, ainda há os problemas com relação aos protestos palestinos que só começaram agora. Na semana passada, dois palestinos morreram quando tentaram impedir o levantamento do muro em Bidou. Foram as primeiras mortes realcionadas com a barreira, desde que começou a ser construída. A tendência é que esse tipo de manifestação comece a acontecer com mais freqüência.
A decisão da Suprema Corte de Israel é uma demonstração de que Ariel Sharon enfrenta problemas dentro do próprio país para a construção do que é chamado pelo povo palestino de "Muro de Berlim Israelense" (o muro de Sharon tem 8 metros, ou seja, o dobro do muro alemão). Vários organismos de Defesa dos Direitos Humanos também estão contra a barreira e já entraram com pedidos para a interrupção de sua construção.
Denise Martins é jornalista, especializada em Oriente Médio.