Rio de Janeiro, 10 de Setembro de 2026

Suposto novo tipo do vírus HIV causa alerta nos EUA

As autoridades de saúde pública dos Estados Unidos estão em alerta pela detecção de um suposto novo tipo do vírus de imunodeficiência humana que resiste aos tratamentos conhecidos e leva a um desenvolvimento rápido da Aids. O diretor do Departamento de Saúde Pública e Sanidade Mental da cidade de Nova York, Thomas Frieden, anunciou a descoberta em um paciente de uma forma do HIV que surpreendeu os médicos. (Leia Mais)

Sábado, 12 de Fevereiro de 2005 às 14:47, por: CdB

 As autoridades de saúde pública dos Estados Unidos estão em alerta pela detecção de um suposto novo tipo do vírus de imunodeficiência humana que resiste aos tratamentos conhecidos e leva a um desenvolvimento rápido da Aids.

O diretor do Departamento de Saúde Pública e Sanidade Mental da cidade de Nova York, Thomas Frieden, anunciou a descoberta em um paciente de uma forma do HIV que surpreendeu os médicos.

A autoridade de saúde pública de Nova York identificou o novo tipo do vírus como 3-DCR, e disse que não responde às três classes de remédios anti-retrovirais usados no tratamento de portadores do vírus HIV. Este tipo de vírus, acrescentou, abrevia muito o intervalo entre a infecção e a aparição dos sintomas da Aids.

O paciente é um homem de aproximadamente 40 anos, foi diagnosticado com a presença do HIV em dezembro, e já desenvolveu a síndrome de imunodeficiência humana. Habitualmente, passam muitos meses e até mesmo anos para que os pacientes que têm HIV desenvolvam a Aids. É a primeira vez que foi encontrado um tipo de HIV resistente aos diferentes remédios e que provocou a aparição dos sintomas da Aids com tanta rapidez. "Não conhecemos outro caso nos Estados Unidos ou em outras partes do mundo com estas características", disse hoje Ron Valdiserri, subdiretor do Centro para o Controle e Prevenção de Doenças (CDS).

Frieden classificou a aparição de um novo tipo de HIV como "um problema potencial grave". O Departamento de Saúde e Sanidade Mental alertou todos os médicos e clínicas para que façam exames de laboratório que determinem se os pacientes são portadores da nova variedade do HIV.

O paciente de Nova York, segundo as autoridades médicas, manteve relações homossexuais diversas vezes sem preservativo, e também usava metanfetaminas em forma de cristais.

Por isso, Frieden considerou que o diagnóstico desse paciente chama atenção, "em primeiro lugar, para os homens que têm relações homossexuais, em particular os que possam estar usando metanfetaminas em cristal".

As autoridades de saúde pública advertiram durante anos que o efeito estimulante da droga diminui as inibições e contribui para a realização de "orgias" que aumentam o contágio com o vírus de imunodeficiência humana.

- Não só estamos encontrando mais casos de sífilis e uma rara doença de contágio sexual (o linfogranuloma venéreo) entre os homens homossexuais. - disse Frieden.

- Agora identificamos este tipo de HIV que é difícil ou impossível de ser tratado, e que parece avançar rapidamente para a Aids.

Os médicos identificaram a síndrome de imunodeficiência humana há 25 anos, e a doença causou estragos entre os homens homossexuais dos Estados Unidos. Desde então, propagou-se no mundo todo, tanto entre homens quanto mulheres, e é causa de milhares de mortes em algumas regiões como a África.

Durante anos, os médicos que tratam os pacientes portadores do vírus ou os que já desenvolveram a síndrome observaram uma resistência crescente aos remédios entre pacientes que não tinham recebido tratamento antes.

- O inovador neste caso não é tanto a resistência aos tratamentos, mas a rapidez da progressão à Aids. - disse Valdiserri.

Robert Gallo, um dos primeiros cientistas que identificaram o HIV nos anos 80 e que agora dirige o Instituto de Virologia Humana na Universidade de Maryland, disse que recebeu o anúncio das autoridades de saúde pública de Nova York com um pouco de ceticismo.

- Para mim, parece que estão fazendo muito barulho sem que haja motivos. - disse Gallo.

- É provável que alguns pacientes passem mais rápido da infecção com o vírus à Aids porque são altamente suscetíveis, e não porque seu tipo de vírus seja mais agressivo.

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