Rio de Janeiro, 29 de Agosto de 2026

Suplicy e a extrema direita

O ex-senador Eduardo Suplicy foi agredido na última semana por manifestantes durante sabatina de Fernando Haddad, na Livraria Cultura, em São Paulo.

Quinta, 29 de Outubro de 2015 às 13:35, por: CdB
Por Bruno Trezena - do Rio de Janeiro: O ex-senador Eduardo Suplicy (PT), e agora secretário municipal de Direitos Humanos de São Paulo, foi agredido na última semana por manifestantes durante a sabatina do prefeito Fernando Haddad, na Livraria Cultura, em São Paulo. Um grupo de pessoas usou palavras de baixo calão e fez gestos em sua direção enquanto o político saída do local. O crescimento de uma onda de intolerância no país vem sendo a tônica destes grupos de extrema direita, que tentam insuflar o golpe e a instabilidade política. O 2 Dedos de Prosa, através do repórter Bruno Trezena, o procurou para ouvir sua versão. Boa leitura!
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Supliciy falou sobre crescimento de uma onda de intolerância no país e Dilma Rousseff
 Secretário, como começaram as agressões na livraria, secretário? E o que você sentiu na hora?  Um grupo minoritário, aproximadamente de 15 pessoas, desde antes de começar a entrevista do Prefeito Haddad, agiu de forma muito desrespeitosa, gritando palavras, agitando faixas, procurando atrapalhar a entrevista programada das 10h às 12h de sábado, no auditório Eva Herz, da Livraria Cultura. Ele estava lotado, com mais de 150 pessoas, e muitos queriam assistir a entrevista. A jornalista Fabíola Cidral e o próprio Prefeito precisaram ser muito enfáticos para que aquele grupo permitisse que a entrevista se desenvolvesse normalmente. Acalmou-os um pouco quando deu a oportunidade para que três deles formulassem perguntas. O Prefeito respondeu muito bem a todas as perguntas, demonstrando profundo conhecimento da cidade e das iniciativas que está desenvolvendo. Após o término da entrevista, cumprimentei o Prefeito e os jornalistas. Ao sair, pouco antes do Prefeito, um rapaz me fez uma pergunta sobre como será o financiamento das campanhas. Respondi que era contra as contribuições de pessoas jurídicas e a favor de transparência em tempo real por meio da página eletrônica de cada partido e candidato de toda e qualquer contribuição. Foi então que aquele pequeno grupo de pessoas, que haviam estendido uma faixa de críticas diversas, começou a gritar – “Suplicy, vergonha do Brasil”. Aproximei-me dos mesmos com a disposição de dialogar, mas como se recusaram a qualquer diálogo, só queriam gritar, sem procurar saber a verdade sobre quaisquer fatos, eu disse a uma das moças que ela era golpista e fui embora. Minutos depois, quando o Prefeito saiu do auditório, mais uma vez o grupo de pessoas começou a gritar ofensas a ele, que acompanhado de pessoas, logo saiu.  Como militante histórico e gestor da pasta de Direitos Humanos de São Paulo, de que forma o senhor avalia o crescimento de uma onda conservadora e reacionária no país?  Ao presenciar o ato inter-religioso na Catedral da Sé, no último domingo, em memória dos 40 anos do assassinato de Vladimir Herzog, e ouvir as palavras de seu filho Ivan, refleti sobre como aquelas pessoas intolerantes, desrespeitosas e antidemocráticas é que levaram o Brasil a viver tragédias como as caracterizadas pelos tristes episódios do regime militar .  Aos que pedem o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, o que o senhor diria?  Tenho a convicção de que a Presidenta Dilma é uma pessoa que sempre agiu de maneira honesta, correta, com sério senso público, de forma transparente e que não há motivo para o impeachment.  Que mensagem o senhor daria à presidenta neste momento de crise política?  Tenho a convicção de que saberá superar estes momentos difíceis e que conseguirá fazer o Brasil crescer com efetiva melhoria da distribuição da renda, aplicando os instrumentos que significarão a prática de maior solidariedade e fraternidade entre os brasileiros.
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