Faz dez anos que o Supergrass estreou como trio de adolescentes que, brincando e fazendo caretas para as câmeras, chegou ao topo das paradas britânicas.
Atualmente, o grupo está mais velho, maior, no mínimo um quarteto, com o acréscimo do tecladista Rob Coombes, o Supergrass muitas vezes também viaja com o percussionista Satin Singh, e manifesta os sinais clássicos de maturidade para uma banda de rock: o lançamento de um álbum de maiores sucessos no ano passado, e agora o clima de reflexão do novo Road to Rouen, cujo primeiro single é uma melodia acústica sombria sobre despedidas.
Para o show no Bowery Ballroom, de Nova York, a banda intensificou o lado maduro, batizando a apresentação de Uma noite íntima com o Supergrass e fazendo a maior parte do show em registro acústico.
Os membros sentaram em banquinhos e tocaram à luz de dois abajures em estilo antigo, criando o ambiente de uma sala de estar.
No entanto, apesar da fama do Supergrass de fazer shows elétricos em alta voltagem, a apresentação em clima mais tranquilo não caiu mal.
O fato de o volume ter sido abaixado veio apenas destacar os talentos musicais consideráveis do grupo.
O show começou com apenas um barbado Gaz Coombes no palco, com um violão, para tocar o single St. Petersburg da maneira mais enxuta imaginável.
Em seguida foi a vez de uma faixa que não consta do álbum, Wait for the Sun, e então o baixista Mick Quinn se juntou a ele para as versões enérgicas, embora também enxutas, de duas canções do primeiro álbum do grupo, I Should Coco, de 1995.
Pouco a pouco os outros integrantes da banda foram se somando a Coombes e Quinn.
No repertório, canções de toda a carreira do Supergrass, como Kiss of Life e Bullet da compilação Supergrass is 10. Todos os sucessos conhecidos, menos dois do novo álbum foram entremeadas com músicas mais antigas como Hollow Little Reign e Sun Hits the Sky, ambas do disco In It for the Money, de 1997, além de um cover animado de Lady Day and John Coltrane, de Gil Scott-Heron.
Indiferentemente de suas origens, quase todas as canções foram apresentadas com muita beleza nas versões "intimistas".
A faixa de abertura do novo álbum, Tales of Endurance, foi uma das mais comoventes, com Gaz alternando entre violão acústico e guitarra elétrica, enquanto o grupo levava a canção à sua conclusão.
A voz de Gaz foi hipnotizante durante toda a noite, e cada nota foi cantada com convicção, mas também com uma ternura apropriada para o contexto.
As novas canções também se beneficiaram do ambiente caracterizado pelos banquinhos e os abajures: o tom reflexivo e comedido de boa parte de Road to Rouen foi transmitido de maneira muito convincente.
O mundo musical sairia perdendo se o Supergrass se perdesse na velhice das bandas de rock, mas a apresentação da terça-feira confirmou que esse não será o destino da banda no futuro próximo.
Os banquinhos e os violões acústicos não foram sinais de cansaço, e sim de aventura.
O catálogo fértil mostrado no palco merece um ambiente apropriadamente reverente, e o Supergrass parece estar disposto a continuar a deleitar seus fãs com suas canções por muitos anos ainda.