Apesar das divergências entre os ministros Antonio Palocci (Fazenda) e Dilma Roussef (Casa Civil), quanto ao aumento nos gastos públicos, o governo registrou superávit primário de R$ 8,553 bilhões no mês passado, o maior resultado para meses de outubro da série histórica do Banco Central, que começou em 1991. A cifra, divulgada pelo BC nesta segunda-feira, ficou acima do superávit de R$ 8,2 bilhões em igual período do ano passado. No ano, o saldo positivo acumulado chega a 95,055 bilhões de reais -frente à meta nominal de 82,7 bilhões de reais para 2005 inteiro.
O superávit primário nos 12 meses até outubro equivale a 5,13% do Produto Interno Bruto (PIB), ante 5,16% nos 12 meses até setembro. No acumulado do ano, o resultado corresponde a 5,97% do PIB, acima do alvo de 4,25%.
- A gente estava olhando com bastante atenção por conta das divergências entre a equipe econômica e a Casa Civil. A preocupação era se havia aumento dos gastos e a gente vê que isso não aconteceu. As estatais vieram com resultado menor (do que esperávamos). Estavam vindo com número mais alto por conta do reajuste de diesel e combustíveis, com efeito na Petrobras - comentou Guilherme Loureiro, economista da Tendências Consultoria.
Até o momento, segundo o economista, não há indícios de que o resultado primário vai convergir para a meta neste ano.
- A gente pode revisar um pouco, mas trabalhamos com 4,8 % do PIB.
Em outubro, o governo central teve superávit de R$ 6,322 bilhões, os governos regionais contribuíram com R$ 1,711 bilhão e as empresas estatais registraram resultado positivo de R$ 520 milhões. Juntas, essas esferas compõem o resultado do setor público consolidado. Ana Paula Rocha, economista do ABN Amro, lembrou que o que vem puxando o resultado primário é a arrecadação, "que compensou o aumento do déficit da Previdência".
Ela estima em 4,6 % do PIB o resultado primário a ser cumprido neste ano.
Trajetória da dívida
O BC informou ainda que a dívida líquida total do setor público caiu para 51,1% do PIB em outubro, frente a 51,4% do PIB em setembro. Em novembro, a estimativa é de que a relação fique estável, segundo o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes.
No ano, a relação dívida/PIB aponta queda de 0,6 ponto percentual. Para o encerramento de 2005, a previsão do Banco Central é de que a dívida seja equivalente a 51,5% do PIB, 0,2 ponto percentual inferior ao fechamento do ano passado.
O déficit nominal do país foi equivalente a 2,99% do PIB nos 12 meses até outubro, ante 2,91% nos 12 meses até setembro.