Rio de Janeiro, 04 de Novembro de 2026

Superávit comercial chinês foi recorde em 2007

Sexta, 11 de Janeiro de 2008 às 08:58, por: CdB

A China teve superávit comercial de US$ 262,2 bilhões (cerca de R$ 460 bilhões) em 2007, de acordo com informações anunciadas pela Administração Geral Alfandegária chinesa nesta sexta-feira. O número representa um aumento de quase 48% em relação a 2006, quando o saldo positivo registrado foi de US$ 177,47 bilhões.

Apesar da elevação acentuada, o número ainda foi menor do que o estimado por especialistas oficiais ao longo do ano passado. Economistas do governo esperavam que o resultado da soma entre todas as exportações menos as importações resultasse em um total positivo - superávit - de pelo menos US$ 300 bilhões. O otimismo do governo possivelmente teve por base os resultados dos três primeiros trimestres.

De janeiro a setembro o saldo superavitário teve elevação de 69,4% em relação ao mesmo período de 2006. Mas, no último trimestre, a China viu suas exportações sucumbirem em meio a inúmeros escândalos sobre a qualidade de produtos como brinquedos, remédios e alimentos. Apenas em dezembro as vendas ao exterior caíram 14,2%. A China nega que esteja em busca de superávit, mas celebra o aumento no volume total de comércio. As trocas com o mundo todo somaram US$ 2,17 trilhões.

Segundo números do governo brasileiro, a China se consolidou no ano passado como segundo maior fornecedor de mercadorias ao Brasil, atrás apenas dos Estados Unidos. No total, as exportações chinesas ao Brasil alcançaram US$ 12,617 bilhões, o que representa um aumento de 57,3% em relação ao número registrado em 2006. No ano passado, a China reverteu a balança comercial que antes tendia para o lado do Brasil.

Do superávit de US$ 412 milhões obtido em 2006, o Brasil passou ao déficit de US$ 1,868 bilhão nas trocas de bens com o país asiático. Atualmente, a China detém 10,5% do mercado importador brasileiro.

Iuan x dólar

Com a divulgação dos números de 2007 também tende a crescer a pressão dos Estados Unidos para que a China mude a sua política cambial e permita que o iuan ganhe valor, o que resultaria em um encarecimento das exportações e conseqüente diminuição no saldo positivo chinês com o resto do mundo. Os Estados Unidos defendem que um iuan mais forte pode ser benéfico à China, pois ajudaria a reduzir o superávit, enxugar o excesso de liquidez e controlar a inflação.

A China concorda com os argumentos pragmáticos dos norte-americanos, mas alega que já vem valorizando passo-a-passo a sua moeda e não pretende tomar atitudes bruscas que possam acabar custando o emprego de milhares de operários chineses e resultem em inquietação social. Desde julho de 2005, quando a China decidiu desatrelar sua moeda do dólar, o iuan já se valorizou 12% frente ao dólar.

Tags:
Edições digital e impressa