Rio de Janeiro, 16 de Maio de 2026

Sunitas desistem de boicotar Constituição iraquiana

Segunda, 25 de Julho de 2005 às 06:45, por: CdB

Os árabes sunitas anunciaram nesta segunda-feira sua volta à comissão constituinte do Iraque, encerrando um impasse que ameaçava o processo político do país, mergulhado em meio a uma violência cada vez maior.

A poucos dias da entrega do anteprojeto de Constituição, os sunitas haviam abandonado as negociações na semana passada depois do assassinato de um de seus representantes.

Mas eles disseram que iriam suspender o boicote porque suas exigências de mais segurança e de uma investigação sobre o crime foram atendidas em uma reunião nesta a segunda-feira.

- Vamos retornar definitivamente amanhã (segunda-feira) - disse Saleh Mutlaq, porta-voz do grupo sunita Diálogo Nacional Iraquiano, do qual participava o constituinte assassinado Mujbil al-Sheikh Isa.

Abdul Nasser al-Jenabi, constituinte de outro grupo sunita, confirmou que as exigências foram aceitas. O governo anunciou o acordo numa nota assinada pelo presidente do Parlamento, Hajem al-Hassani.

Enquanto isso, a violência prossegue. Na manhã desta segunda-feira, no momento em que 25 vítimas de um caminhão-bomba do domingo eram sepultadas, dois carros-bomba guiados por suicidas mataram pelo menos 15 pessoas em barreiras policiais de Bagdá. Os militares dos EUA disseram que 40 pessoas morreram no ataque de domingo, mas a polícia local não confirmou a cifra.

Os governos do Iraque e dos Estados Unidos esperavam que a presença de sunitas na Constituinte fosse dissolver a insurgência, liderada por membros da minoria sunita, que forma 20% da população e dominava o país durante o regime de Saddam Hussein.

Mais sunitas aderiram à Constituinte no mês passado. Seus demais membros são em geral xiitas e curdos eleitos em janeiro para o Parlamento, numa eleição em que os sunitas, por medo ou boicote, se abstiveram.

O fim do boicote sunita traz algum alívio à Constituinte, mas as negociações sobre o texto estão longe de concluídas. O anteprojeto deve estar pronto até 15 de agosto, mas no dia 1o. vence o prazo para a prorrogação dos trabalhos da comissão durante seis meses, caso ela não tenha chegado a um esboço da nova Constituição.

Um constituinte curdo disse que, mesmo com a volta dos árabes sunitas, continua difícil aprovar um texto que agrade a todos.

- Para dizer a verdade, duvido a esta altura que tenhamos um documento pronto até o final deste mês - disse Mahmoud Othman à Reuters.

Os grupos estão divididos em questões como federalismo - como dividir poderes e recursos em áreas como o norte curdo ou o sul xiita, onde os líderes locais querem autonomia em relação a Bagdá e controle dos dividendos do petróleo.

Washington considera que prorrogar os trabalhos da Constituinte seria um erro, pois o processo político perderia impulso. Mas, com a aproximação do prazo, Othman diz o que muitos já comentam reservadamente:

-Ninguém quer falar em prorrogação, porque ninguém quer ser o responsável por pedi-la. Mas todos já estão pensando nisso - disse.

Os ataques dos insurgentes, especialmente com suicidas em carros-bomba, cresceram desde que o novo governo tomou posse, em abril, e se intensificaram nas duas últimas semanas, matando mais de 200 pessoas em Bagdá e em cidades do sul.

Na madrugada de segunda-feira, um militante lançou um carro cheio de explosivos contra um posto policial perto do hotel Sadir, no centro da capital. Foram ouvidos disparos logo depois.
Fontes policiais disseram que seis pessoas morreram e 16 ficaram feridas, a maioria empregados iraquianos de uma empresa de segurança que vigia o hotel. O Ministério da Defesa disse que houve 12 mortos.

Pouco mais de uma hora depois, um homem-bomba atacou na praça Ansour, perto da entrada da vigiadíssima zona verde, sede de órgãos governamentais e diplomáticos, segundo fonte policiais. Um funcionário do hospital Yarmouk disse ter recebido três mortos e seis feridos desse segundo ataque.

Na enorme explosão

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