A Organização de Ulemás Muçulmanos do Iraque (OUM) advertiu hoje, domingo, que se pode desatar uma onda de atentados contra clérigos e figuras religiosas no país antes da transferência de poder no dia 30 de junho, depois que fora assassinado a tiros um de seus membros.
O xeque Dhamer al-Dhari foi baleado no final da noite de sábado às portas da mesquita do grande Imame Shahid Raad, no distrito de Al-Jadra'a da capital, onde habitualmente predicava.
Al-Dhari era meio-irmão do secretário-geral do grupo, xeque Hareth al-Dhari, que tenta liderar e coordenar aos distintos partidos políticos sunitas do país.
"Achamos que o Iraque será palco de mais ações deste tipo daqui até a transferência de poder no próximo dia 30 de junho", vaticinou com pessimismo o xeque Al-Faidhy, porta-voz do OUM.
A comunidade sunita, à qual pertencia o deposto presidente Saddam Hussein, ficou afastada da vida política depois da derrota do ditador.
Embora a polícia ainda não fez públicas as razões do assassinato do xeque Dhamer, a grande atividade de sua família em prol de uma liderança sunita unificado faz suspeitar de possíveis implicações políticas.
Seu irmão Hareth é o líder da OUM e seu sobrinho Muzanna dirige o jornal "Al-Basaher", que atua como porta-voz desta organização, da qual saíram dois dos principais partidos políticos sunitas do Iraque.
Tanto o líder do Partido Islâmico e atual presidente do Conselho de Governo, Mohsen Abdelhamid, como o líder do Movimento Nacional do Iraque, o conhecido xeque Ahmad al Kubaysi, eram membros do OUM até que formaram seus próprios partidos.
Em declarações à EFE, a viúva do xeque Dhamer, Nuha Abdelrazzak, assegurou que "dois homens chamaram na porta e meu filho abriu; perguntaram por seu pai e lhes disse que se acabava de ir a zona de preces".
A casa do xeque está atrás da própria mesquita na qual trabalhava.
"Havia outro homem mais longe e os três foram para onde ele estava. Ouví seis tiros. Depois os três homens começaram a disparar ao alto para criar confusão", continua Nuha.
"As pessoas sairam depressa da mesquita para tentar detê-los, mas fugiram a toda velocidade em um carro", prossegue a viúva, que não para de repetir as últimas palavras de seu marido.
"Deus é o maior, me levem ao hospital; Deus é o maior, me levem ao hospital", assegura a mulher que repetia o moribundo.
O xeque Dhamer morreu poucas horas depois no hospital Al Yarmuk da capital ao não poder recuperar-se dos graves ferimentos.
Outro membro da Organização de Ulemás, Mohamed al Samarrai, declarou à EFE que "todas estas ações contra os sunitas do Iraque não vão conseguir nos dividir. Permaneceremos unidos e como uma só nação até o final da ocupação".
Nas últimas semanas as forças da Coalizão fizeram pública uma carta de um suposto membro da Al Qaeda na qual falava de um plano para suscitar a guerra civil entre as distintas comunidades religiosas do país.
A OUM condenou ontem a negativa do administrador civil americano, Paul Bremer, a que a futura Constituição do país estabeleça o Islã como a fonte principal da Lei.
Numerosas pessoas que se deslocaram até a mesquita do Imame Shahid Raad para expressar suas condolências acusaram aos serviços secretos britânicos do assassinato.
Sunitas advertem para possível onda de assassinatos
Domingo, 22 de Fevereiro de 2004 às 07:00, por: CdB