Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

Sunitas advertem para possível onda de assassinatos

Domingo, 22 de Fevereiro de 2004 às 07:00, por: CdB

A Organização de Ulemás Muçulmanos do Iraque (OUM) advertiu hoje, domingo, que se pode desatar uma onda de atentados contra clérigos e figuras religiosas no país antes da transferência de poder no dia 30 de junho, depois que fora assassinado a tiros um de seus membros.

O xeque Dhamer al-Dhari foi baleado no final da noite de sábado às portas da mesquita do grande Imame Shahid Raad, no distrito de Al-Jadra'a da capital, onde habitualmente predicava.

Al-Dhari era meio-irmão do secretário-geral do grupo, xeque Hareth al-Dhari, que tenta liderar e coordenar aos distintos partidos políticos sunitas do país.

"Achamos que o Iraque será palco de mais ações deste tipo daqui até a transferência de poder no próximo dia 30 de junho", vaticinou com pessimismo o xeque Al-Faidhy, porta-voz do OUM.

A comunidade sunita, à qual pertencia o deposto presidente Saddam Hussein, ficou afastada da vida política depois da derrota do ditador.

Embora a polícia ainda não fez públicas as razões do assassinato do xeque Dhamer, a grande atividade de sua família em prol de uma liderança sunita unificado faz suspeitar de possíveis implicações políticas.

Seu irmão Hareth é o líder da OUM e seu sobrinho Muzanna dirige o jornal "Al-Basaher", que atua como porta-voz desta organização, da qual saíram dois dos principais partidos políticos sunitas do Iraque.

Tanto o líder do Partido Islâmico e atual presidente do Conselho de Governo, Mohsen Abdelhamid, como o líder do Movimento Nacional do Iraque, o conhecido xeque Ahmad al Kubaysi, eram membros do OUM até que formaram seus próprios partidos.

Em declarações à EFE, a viúva do xeque Dhamer, Nuha Abdelrazzak, assegurou que "dois homens chamaram na porta e meu filho abriu; perguntaram por seu pai e lhes disse que se acabava de ir a zona de preces".

A casa do xeque está atrás da própria mesquita na qual trabalhava.

"Havia outro homem mais longe e os três foram para onde ele estava. Ouví seis tiros. Depois os três homens começaram a disparar ao alto para criar confusão", continua Nuha.

"As pessoas sairam depressa da mesquita para tentar detê-los, mas fugiram a toda velocidade em um carro", prossegue a viúva, que não para de repetir as últimas palavras de seu marido.

"Deus é o maior, me levem ao hospital; Deus é o maior, me levem ao hospital", assegura a mulher que repetia o moribundo.

O xeque Dhamer morreu poucas horas depois no hospital Al Yarmuk da capital ao não poder recuperar-se dos graves ferimentos.

Outro membro da Organização de Ulemás, Mohamed al Samarrai, declarou à EFE que "todas estas ações contra os sunitas do Iraque não vão conseguir nos dividir. Permaneceremos unidos e como uma só nação até o final da ocupação".

Nas últimas semanas as forças da Coalizão fizeram pública uma carta de um suposto membro da Al Qaeda na qual falava de um plano para suscitar a guerra civil entre as distintas comunidades religiosas do país.

A OUM condenou ontem a negativa do administrador civil americano, Paul Bremer, a que a futura Constituição do país estabeleça o Islã como a fonte principal da Lei.

Numerosas pessoas que se deslocaram até a mesquita do Imame Shahid Raad para expressar suas condolências acusaram aos serviços secretos britânicos do assassinato.

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