As altas temperaturas, a água empoçada e a decomposição dos corpos ameaçam agravar a tragédia humanitária na ilha de Sumatra, na Indonésia, onde já foram registrados 36.268 mortos.
O diretor do Escritório para a Coordenação de Assuntos Humanitários das Nações Unidas (OCHA), Michael Elmquist, disse nesta quarta-feira a um grupo de jornalistas em Banda Aceh, capital da província indonésia de Aceh, que o número final será ainda maior.
- Minha estimativa seria de entre 50 mil e 80 mil mortos - respondeu Elmquist.
Esse cálculo inclui as pessoas mortas como conseqüência direta do terremoto de 9,0 graus na escala Richter que sacudiu Sumatra no último domingo e das ondas gigantes que provocou, sem considerar os que possam morrer por causa de doenças.
- O risco de epidemias aumenta devido às altas temperaturas, à água empoçada e à decomposição dos corpos - alertou Hadi Kuswoyo, funcionário da Cruz Vermelha.
O maior perigo está em Aceh, o lugar mais castigado pelo terremoto e pela "tsunami" (onda gigante) e que tinha uma população de 4,5 milhões de habitantes.
Na capital há cadáveres nas ruas, muitos envolvidos em plásticos azuis, espalhados por toda a cidade. Alguns deles estão há dois dias abandonados no chão.
A prefeitura destinou três hectares de terra estatal, nas imediações do aeroporto, para enterrar os mortos em valas comuns, mas a capacidade do exército é menor do que o trabalho necessário.
A fome e as condições sanitárias dos sobreviventes é outro problema que torna mais preocupante à medida que os dias passam. Foram estabelecidos acampamentos de refugiados para acolher os deslocados, mas esses ainda oferecem condições insatisfatórias.
O maior desses centros de refugiados fica em Banda Aceh e abriga 400 mil pessoas. Edward Sy, da Cruz Vermelha, deslocado na capital de Aceh, disse que as doenças mais prováveis nos próximos dias serão diarréia, problemas respiratórios e doenças relacionadas com a pele.
A ajuda humanitária já está sendo distrubuída em Banda Aceh, a maior parte chegando por transporte aéreo devido ao mau estado das estradas, mas não satisfaz a necessidade dos afetados.
A indonésia Emmy Zumaida declarou à EFE que presenciou a chegada de um caminhão militar carregado com sacos de arroz em frente às dependências governamentais. Segundo ela, centenas de pessoas correram para fazer fila e receber a ração, mas não foi suficiente para todos.
A situação no resto da província é ainda mais precária que na capital, como descobrem as equipes de resgate à medida que alcançam áreas até agora incomunicadas e que não se sabia ainda o estado. Hoje chegaram à ilha de Malabu, na província de Sumatra do Norte, e em Meulaboh, em Aceh.
O governador de Sumatra de Norte, Rizal Nurdin, declarou à imprensa que "cerca de 90% dos edifícios estavam destruídos e quase não eram vistos sinais de vida".
Malabu tinha uma população de aproximadaemnte 60 mil habitantes antes da tragédia.