O município de Sumaré é considerado pelo governo federal modelo no combate ao trabalho infantil. A cidade, localizada na região metropolitana de Campinas, uma das mais violentas do estado de São Paulo, atende 1.032 crianças de 300 famílias pelo Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti). As famílias que mantêm os filhos no ensino regular, longe de atividades de risco e vulnerabilidade social, recebem bolsa mensal de R$ 25 por criança.
O programa oferece às crianças atividades esportivas e culturais, como teatro e dança. Os pais recebem apoio do Programa de Atenção Integrada à Família (Paif), também do governo federal, que proporciona atendimento social, psicológico e cursos de capacitação profissional em oficinas de corte e costura, padaria e artesanato.
Segundo a secretária municipal de Ação Social em Sumaré, Rita de Cássia Rosa Pinto, antes dos programas, a situação era muito difícil. Muitas vezes, a família colocava a criança na escola, mas, por não ter nenhuma assistência, perdia renda e logo a retirava das aulas. Isso aumentava os números de evasão escolar e repetência nos colégios. "Por causa desse trabalho integrado que fazemos em Sumaré, neste ano tivemos um índice de reprovação 25% menor", disse Rita.
Na cidade, há 11 núcleos de atendimento do Peti.
- Em Sumaré, descentralizamos o atendimento. Em vez de levar as crianças para o centro da cidade, levamos o núcleo de ação social para os bairros. Temos inclusive um núcleo na área rural, onde está a maior concentração do problema - informou Rita de Cássia.
De acordo com a secretária, os resultados positivos da ação conjunta desses programas fazem do município de Sumaré um modelo no combate ao trabalho infantil. Ela destacou a importância da parceria com as empresas e o comércio da região nesse trabalho, pois os empresários adotam e gerenciam alguns núcleos, auxiliando a prefeitura.
Mesmo com os resultados positivos do programa em Sumaré, a secretária admite que ainda há o que ser melhorado. "Temos uma demanda reprimida", disse Rita de Cássia. A prefeitura pede a ampliação de mais 350 vagas do Peti e a criação de mais seis centros de atenção à família do Paif.
Simultaneamente, a prefeitura desenvolve o programa Trampolim, que oferece às crianças de Sumaré as mesmas atividades do Peti, mas sem auxílio financeiro.
- As famílias diminuem sua renda e logo retiram as crianças da escola, aumentando os números de evasão escolar e repetência - afirmou a secretária municipal.