Uma visita a Porto Alegre, um debate na Assembléia Legislativa do Rio Grande sobre reforma política e um cafezinho com o governador gaúcho Tarso Genro (PT) inspiraram o candidato da oposição derrotado na disputa pelo Palácio do Planalto no ano passado, José Serra (PSDB), a sair do silêncio e a debater as mudanças eleitorais e político-institucionais.
Alvíssaras, bem vindo ao debate, ainda que as discussões sobre a reforma tenham arrefecido e se tornado meio mornas ultimamente. Mesmo assim, José Serra faz um diagnóstico razoável em se tratando do remédio. Mas, o que ele receita, mata o paciente.
Defendeu mudanças no sistema eleitoral, "ponto mais crítico do contexto político" segundo ele, porque mantido, o atual "encarece as eleições, enfraquece os partidos e afasta os eleitos dos eleitores". E reafirmou seu otimismo quanto a possibilidade de implantação do sistema distrital nas eleições para vereador, em 2012, nos municípios com mais de 200 mil eleitores.
Defesa do voto distrital e ataque ao financiamento público
"Se for introduzido, pode ser um estímulo para mudanças no plano estadual e federal", previu. José posicionou-se, de novo, contra o financiamento público de campanha, que não julga a melhor alternativa, porque não impediria o financiamento paralelo e "poderia abrir caminho para uma indústria de deputados".
Aí estão os remédios amargos, mortais, receitados por JOsé Serra. O voto distrital proposto por ele, com a manutenção do financiamento privado das campanhas eleitorais, elimina as minorias e fortalece ainda mais o poder econômico.
Além do fato dele não propor a resolução dos problemas (sistemas de voto e de financiamento) em nível nacional já que sua proposta se concentra apenas nas eleições municipais, nas cidades de mais de 200 mil eleitores e que hoje tem dois turnos nas eleições para prefeitos.
Um José Serra mais sensato, realista e menos ressentido
O restante de suas palestra e entrevista é o reconhecimento do óbvio: a oposição está em crise, dividida, os próprios partidos de sua base - DEM e PSDB - estão rachados e nenhum tem um líder. Faltou, no entanto, José Serra abordar o principal dessa crise de suas duas legendas de apoio: a oposição não tem bandeiras, programa, rumos, uma estratégia de poder.
Daí, até, o seu reconhecimento de que "um governo de qualidade também depende de uma oposição de qualidade" e a admissão de que os oposicionistas atualmente não têm um líder. Bem, pelo menos tivemos um José Serra mais sensato e realista, menos ressentido...
Sul inspira Serra a falar da reforma política
Quinta, 12 de Maio de 2011 às 08:50, por: CdB