Sentindo frio e medo, centenas de moradores da ilha sul-coreana de Yeonpyeong fugiram nesta quarta-feira para o continente, e muitos prometem não voltar mais às suas casas, depois do bombardeio norte-coreano da véspera. Pelo menos dois civis e dois soldados morreram, e dezenas de casas foram incendiadas, segundo o governo sul-coreano. Foi o ataque mais violento na região desde o final da Guerra da Coreia, em 1953. - Não vou voltar. Deixei para trás tudo o que eu tinha -, disse o agricultor Kim Ji-kwon, de 53 anos. A pequena ilha, apenas 120 quilômetros a oeste de Seul e bem perto da zona de fronteira marítima disputada, abriga cerca de 1.600 civis e 1.000 militares. Ela é reivindicada pela Coreia do Norte, mas ocupada pelo Sul desde o final da guerra. Na quarta-feira, cerca de 340 residentes, a maioria mulheres, crianças e idosos, estavam sendo retirados da ilha por embarcações da Guarda Costeira, após passarem a noite insones em um gélido abrigo antiaéreo improvisado, com medo de que o bombardeio recomeçasse. Isso não aconteceu, mas a trégua não serviu de consolo para Cho Soon-ae, que desembarcou em lágrimas no porto de Incheon, levando sua filha pequena. - Minha casa foi toda queimada. Perdemos tudo. Não tenho nem uma muda de roupas íntimas -, contou ela, que iria se instalar em um albergue público. Centena de pessoas já haviam deixado a ilha na última terça-feira, mas muitas preferiram ficar, já que as desocupações promovidas pela Guarda Costeira eram voluntárias. Byun Jong-myoung, que deixou a ilha há muitos anos e foi ao cais de Incheon receber uma cunhada, contou que de Yeonpyeong "dá para ver a Coreia do Norte, (mas) não dá para ver a Coreia do Sul". "Mas, em todos esses anos", disse ele, "nunca nos sentimos inseguros." Byun afirmou que tentaria convencer a família do seu irmão a se mudar da ilha. Kim Hoon-yi, que estava visitando seus sogros na ilha, com seu filho de 3 anos, disse que o mais difícil na hora do bombardeio foi entender o que estava acontecendo. - Algumas pessoas diziam que era guerra. Algumas que era a Coreia do Norte invadindo. Algumas disseram que era a nossa artilharia militar que disparou por engano. Mas era grande demais, a fumaça e o fogo estavam disseminados demais para ser um engano.
Sul-coreanos abandonam ilha bombardeada pelo Norte
Sentindo frio e medo, centenas de moradores da ilha sul-coreana de Yeonpyeong fugiram nesta quarta-feira para o continente, e muitos prometem não voltar mais às suas casas, depois do bombardeio norte-coreano da véspera.
Quarta, 24 de Novembro de 2010 às 10:57, por: CdB