Rio de Janeiro, 10 de Setembro de 2026

"Suíços podem concretizar seu sonho de campeões"

Sexta, 17 de Junho de 2011 às 01:40, por: CdB

Depois de derrotar a Dinamarca e a Islândia, a Suíça praticamente garantiu sua qualificação para as semifinais do Euro Sub 21.

O título de campeão não é impossível para esta geração talentosa, de acordo com o ex-técnico das seleções inferiores, Bernard Challandes.

Desde 2009 e o título de campeã mundial Sub 17 na Nigéria, a Suíça pode novamente ganhar um novo grande título. Em todo caso, as chances são reais. Depois de ganhar da Dinamarca – país que organiza o Euro 2011 – por 1 a 0 e de vencer a Islândia por 2 a 0, a Suíça joga sábado contra a Bielorrússia para se classificar para a semifinal.
 
Formada por jogadores como  Shaqiri, Xhaka, Emeghara e Mehmedi, escalados por Ottmar Hitzfeld (técnico da seleção principal)  no empate de 2 a 2 da Suíça com a Inglaterra em Wembley duas semanas atrás, a seleção Sub 21 é a favorita do torneio. Bernard Challendes era técnico do Sub 21 em 2002, quando a Suíça ficou em terceiro lugar no Euro. Em entrevista à swissinfo.ch, ele afirma que esse é o resultado de um sistema de formação invejado por outros países e de uma osmose entre jogadores de origens diversas

swissinfo.ch: Como o senhor julga o desempenho da Suíça até agora na Dinamarca?

Bernard Challandes: Eu sabia que essa equipe tinha um grande potencial e que podia dar grandes satisfações. Ela corresponde às esperanças, o que não é nada fácil. Isso me lembra 2002 e 2004, quando o Sub 21 se classificou para a fase final do Euro. Havia jogadores como Grichting, Magnin, Cabanas, Frei, Barnetta, Lichtsteiner, Degen e Senderos (ndr: todos posteriormente e ainda alguns deles titulares da seleção sênior). Hoje os jovens se chamam Xhaka, Shaqiri, Emeghara, Mehmedi e Fabian Frei. Essa geração que surge com força traz grandes esperanças.

Bernard Challandes treinava a seleção Sub 21 em 2002, quando ficou em terceiro lugar no Euro. (Keystone)

swissinfo.ch: A Suíça pode ganhar esse Euro?

B.C.:Pode, esse time pode concretizar seus sonhos. Tem potencial para chegar à final, onde poderia pegar a Espanha ou a Inglaterra. Não vai ser fácil, mas eu acredito.

swissinfo.ch: Esse time está bem em todos os setores de jogo. Qual é o segredo?

B.C.:É indiscutivelmente o resultado do sistema de formação instaurado nos últimos anos. Uma grande parte dos titulares dessa equipe joga em clubes suíços. Os que foram para o estrangeiro também tiveram vários anos de formação na Suíça. Podemos estar orgulhosos do trabalho feito pela Federação e pelos clubes. Nossos sistema de formação funciona muito bem e agora é reconhecido no mundo inteiro (ver vídeo ao lado).

swissinfo.ch: A Suíça descobre um novo grande jogador em Xherdan Shaqiri. O que o senhor acha desse jogador, cobiçado por grandes clubes europeus?

B.C.: Ele poderia ter recusado jogar pela seleção com o pretexto de já ter disputado uma longa temporada com o FC Basileia. Ao participar do Euro Sub 21, ele prova que gosta de jogar pela Suíça e que não tem orgulho pessoal nenhum. Talvez esse seja o sinal mais positivo. Evidentemente, ele tem qualidades excepcionais: físico, veloz, explosivo, técnica, chute forte. É um jogador completo.
 
Também tem um mental incrível. São jogadores como ele que contribuem há anos a mudar a mentalidade dos jogadores suíços. Eles não têm medo de se mostrar e são capazes de enfrentar as maiores nações do futebol.

" Jogadores como Shaqiri contribuem há anos para mudar a mentalidade dos jogadores suíços "
swissinfo.ch: A nova filosofia ensinada nas equipes juniores, com um jogo ofensivo, parece ter convencido Ottmar Hitzfeld (ndr : técnico da seleção principal), quando do jogo contra a Inglaterra em Wembley (2-2)!

B.C. Esses jovens trazem inegavelmente uma nova dinâmica, como foi o caso de Frei, Barnetta ou Cabanas alguns anos atrás. Eles têm talento, coragem, despreocupação e mudam a fisionomia da seleção. Mas, em um país como a Suíça, era por vezes difícil renovar. Agora temos novamente uma geração capaz de suceder com sucesso a outra que está saindo devagar. Isso é ótimo.

swissinfo.ch: Alguns campeões do mundo na Nigéria se impuseram como titulares em seus clubes, outros têm mais dificuldade. Como explicar essas diferenças?

B.C.: Não adianta ter ilusões. Apenas três ou quatro jogadores campeões Sub 17 na Nigéria chegarão à seleção principal. Isso ocorre de maneira idêntica em qualquer lugar. O futebol dos juniores é muito diferente do futebol profissional e o caminho que liga esses dois mundos é estreito e perigoso. Do time que foi campeão da Europa Sub 17 em 2002, somente Ziegler, Barnetta e Senderos são titulares da seleção principal. Alguns precisam de mais tempo por terem decido ir para o estrangeiro, onde a concorrência é maior. Às vezes funciona, como por Djourou e Senderos, que foram rapidamente para a Inglaterra. Outras, dá menos certo, como vemos com Ben Khalifa e Gavranovic. Jogar primeiro nos grandes clubes suíços antes de ir embora continua geralmente a melhor opção.

swissinfo.ch: Por que na Suíça não existe polêmica, como é o caso na França, acerca da origem dos jogadores de futebol?

B.C.: Na França, o debate derrapou para o racismo.  Mas tudo tinha começado com uma reflexão acerca dos jogadores formados na França e que escolhiam uma outra seleção nacional quando adultos. Também tivemos essa discussão na Suíça. Não se falou de cotas mas de encontrar soluções para que esses jogadores continuassem a jogar na seleção suíça. Os casos de Kuzmanovic e Petric (ndr: formados na Suíça e que jogam pela Sérvia), foram muito discutidos. Hoje a situação mudou. Quase metade da seleção suíça é composta de “secondos” e “tertios” (ndr: estrangeiros de segunda e terceira gerações, nascidos na Suíça), sem problema nenhum.

swissinfo.ch: O aspecto pluricultural é a força das diferentes seleções nacionais suíças?

B.C.:Com certeza. É a força da Suíça, mas também da França, da Inglaterra e de praticamente todas as seleções nacionais. Para um pequeno país como o nosso, o aspecto multicultural é uma vantagem enorme. Jogadores como Shaqiri, Xhaka e Mehmedi têm uma trajetória de vida diferente. Seus pais tiveram que batalhar e passar por momentos difíceis, o êxodo e, às vezes, a guerra. Talvez eles tenham mais vontade de vencer. Isso força também nossos “bons pequenos suíços” a se esforçarem um pouco mais.

Samuel Jaberg, swissinfo.ch
Adaptação: Claudinê Gonçalves

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