Rio de Janeiro, 27 de Agosto de 2026

Suíça Suter fabrica motos do circuito profissional

Quinta, 05 de Maio de 2011 às 02:02, por: CdB

Domingo passado, no Grande Prêmio de Portugal de Motociclismo, em Estoril, o suíço Thomas Lüthi chegou em 4” lugar na categoria Moto 2, pilotando uma Suter-MMXI. O próximo GP será na França, em 15 de maio.

E o piloto suíço não é o único, pois a marca suíça Suter Racing Technology equipa 14 pilotos este ano e lidera o Mundial de Moto 2 (antiga 250 cc).

A marca helvética Suter Racing Technology lidera a classificação de construtores no campeonato mundial – prêmio que já ganhou em 2010, primeiro ano de existência da categoria Moto2 (antes era 250 cc). Tinha então dois pilotos entre os primeiros: Andrea Iannone e o próprio Lüthi, ambos com uma Suter MMX-y
 
Na temporada atual, oito dos 14 pilotos do Mundial correm com a Suter-MMXI devido à fama da firma que oferece experiência, pesquisa e qualidade. Mas é uma marca quase artesanal que produz motores de alto rendimento, chassis de desenho sofisticado e outros componentes para o motociclismo
 
A empresa foi fundada em 1996 por Eskil Suter, antigo piloto do Mundial, e um irmão. Ao parar de competir, ambos queriam continuar vinculados às corridas. Começaram então sua aventura empresariam fabricando peças para motos como cilindros, carburadores e motores.

Moto GP e Superbikes

“Decidimos criar a empresa a experiência que tínhamos e os inúmeros contatos que colecionamos em todo o mundo. Rapidamente começamos a abastecer escuderias de MotoGP (antiga 500 cc) e de Superbikes”, explica o diretor-geral da marca Eskil Suter à swissinfo.ch na sede da empresa, em Turbenthal, perto de Zurique.
 
Em uma paisagem idílica com vacas, pastos e um riacho, destaca-se a presença da moderna fábrica de Suter, este laboratório com maquinaria especializada para a cuidadosa produção de motos. O pessoal termina os protótipos e novos modelos para as competições mais seletas.

Márquez impressiona

Foi em 2010, com a estreia da categoria Moto2 no Mundial, que a empresa suíça começou a conquistar seus melhores resultados esportivos. “Em 2010, treze pilotos correram com nossas motos. Foi um recorde que uma marca equipasse tantos corredores. Ganhamos o título de construtores e, salvo o espanhol Julián Simón, ninguém esteve perto de ganhar o Mundial de pilotos”, comenta Suter.
 
Este ano temos pilotos muitos bons, com antigos campeões do mundo entre eles: Thomas Lüthi, Mika Kallio, Julián Simón, o jovem espanhol Marc Márquez, atual campeão de 125 cc com Honda, que subiu este ano para Moto2 e está com Suter. “Com 18 anos, ele é o mais jovem da categoria e tem pouca experiência. Mas é muito rápido e ainda pode melhorar muito: vejo-o como futuro campeão do mundo em nossas equipes”, destaca o principal responsável de Suter, que não se esquece de ter citado Simón.
 
“Vai ser difícil porque todos querem ganhar e vários têm muitas possibilidades. Pelo menos três ou quatro pilotos de Suter são candidatos ao título. Somos otimistas e cremos que este ano possamos ganhar o título de construtores e o de pilotos. Nas corridas, ganhar é sempre importante. Como construtores não podemos fazer nada, os mais rápidos vão se impor. As outras marcas também são bastante competitivas”, afirma  o antigo piloto suíço.

Marc Márquez (93) y Julián Simón, doIs dos españoles que correm com uma Suter. (suter.mediarace.de)

Suíça não tem circuitos

Na Suíça não existem circuitos permanentes. Esta falta de lugares específicos para testar as motos supõe uma certa desvantagem a Suter, porém a firma se beneficia da indústria de ponta suíça para criar suas máquinas de competição.
 
“Nunca quisemos sair da Suíça porque a indústria nacional está muito avançada, temos maquinaria de precisão de alta qualidade e pessoal qualificado, por isso continuar a trabalhar aqui. Também contamos com uma boa rede de contatos, algo muito importante. Tudo isso explica em grande parte nossa competitividade”, assinala Eskil.
  
Suter Racing tem a confiança de tantas equipes do Mundial pela atenção que presta a seus clientes. Cada escuderia trabalha de forma independente. Enviamos engenheiros aos circuitos para ajudar a ajustar as motos a cada piloto e a cada traçado.
 
“São analisadas as necessidades e problemas para ir na direção correta. Temos interesse em que nossas motos estejam nas melhores condições possíveis. Com os  ‘feedbacks’ de tantos pilotos que temos dispomos de muita informação, o que nos permite desenvolver a moto rapidamente”, diz Eskil Suter.

“Competir com Honda e Yamaha”

Na fábrica da Suter trabalham mais de 30 pessoas. São engenheiros, desenhistas, técnicos e mecânicos. Ao contrário do habitual, Suter optou por uma equipe grande para poder desenvolver uma moto própria. “Fazemos o conceito, o desenho, cálculos e simulação. Podemos competir com grandes marcas como Honda e Yamaha, em especial com os protótipos, graças à nossa flexibilidade; por isso podemos desenvolver um projeto de forma mais rápida”.
 
Já estão em fase de preparação novas motos para as categorias 125 cc e MotoGP. Isso permite economizar gastos e testar durante uma sessão de treino os projetos para as distintas categorias do Mundial.
 
Obviamente não se aposta na produção em massa, mas em desenvolvimento personalizado. Nossas motos se adaptam à crise, com um menor preço possível. Com isso, posso contar com uma equipe sem ter que gastar cinco ou dez milhões de euros, conclui o antigo piloto.

Iván Turmo, Turbenthal, swissinfo.ch
Adaptação: Claudinê Gonçalves

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