Rio de Janeiro, 12 de Setembro de 2026

Suíça pode virar alvo da Al Qaeda

Domingo, 21 de Março de 2004 às 11:39, por: CdB

A Suíça, que foi durante muitos anos praça financeira e lugar de encontro e troca de informações entre militantes fundamentalistas, poderia virar agora alvo do terrorismo internacional depois do bloqueio de uma das principais fontes de financiamento da Al Qaeda.

Graças a esse papel especial, este pequeno país no coração da Europa não tinha sido até agora alvo de ataques ou ameaças terroristas, algo que poderia mudar, segundo o dominical Sonntagszeitung.

Um dos que se beneficiaram no passado na Suíça é o número dois da Al Qaeda, o médico egípcio Ayman al-Zawahiri, que, segundo o especialista em terrorismo e assessor do Conselho de Segurança da ONU, Roland Jacquard, viajou várias vezes a Genebra.

Apesar de as autoridades do Cairo terem dado ordem internacional de captura contra ele, al-Zawahiri pôde entrar sem problemas na Suíça e inclusive abriu, em 1989, uma conta em seu nome num banco em Genebra, garante o jornal. É também mencionada no relatório do juiz de instrução espanhol Baltasar Garzón uma reunião na Suíça em 1995 e da qual participou o egípcio.

O próprio al-Zawahiri revelou pessoalmente há dois anos ao jornalista paquistanês e biógrafo do número um de Osama bin Laden, Hamid Mir, que tinha estado na Suíça em 1996. As autoridades suíças desmentiram em princípio essas visitas, mas em dezembro passado, a Procuradoria federal não teve mais como não reconhecer esses feitos, critica o jornal.

Desde que o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, declarou a guerra ao terrorismo internacional e dividiu o mundo em "amigos e inimigos", a situação mudou para a Suíça, submetida a maior pressão do que nunca para que se somasse a esse combate.

Respondendo a essas pressões, as autoridades suíças atingiram uma das supostas fontes financeiras da Al Qaeda ao bloquear uma conta da sociedade financeira al-Taqwa neste país.

A Suíça teve um papel importante nas investigações que levaram à detenção de Khaled Scheij Mohammed, considerado como um dos cérebros da Al Qaeda. No começo do ano, a procuradoria suíça ordenou, além disso, a detenção de oito pessoas residentes na Suíça e as quais acusa de haver contribuído para a logística dos sangrentos atentados da Al Qaeda na capital saudita.

Tudo isso faz o especialista Albert A. Stahel, da Academia Militar da Escola Técnica Superior em Au (cantão de Zurique), não descartar "um ataque ou pelo menos uma ameaça" contra a Suíça.

Um funcionário dos serviços de informação interna da Confederação declarou ao jornal suíço ter indícios de que quatro cidadãos suíços receberam treinamento em campos de terroristas no Afeganistão.

Enquanto isso e em conseqüência dos atentados terroristas de Madri, o Governo suíço planeja reimplantar as medidas preventivas, entre elas a possibilidade de praticar escutas telefônicas sem que exista suspeita concreta e direta do cometimento de um delito grave.

Esse tipo de escuta é ilegal na Suíça da mesma forma que na Áustria, Bélgica e na maioria dos países escandinavos, o que não é o caso, no entanto, em França, Itália, Alemanha e Reino Unido. Porém, as autoridades suíças querem passar por cima disso e poder instalar microfones ocultos nos domicílios dos suspeitos ou escutar suas conversas em lugares públicos ou privados.

Os socialistas, que dividem o governo federal com os partidos conservadores e de centro, pedem prudência e advertem do perigo de que a Suíça se converta num Estado policial como o foi, segundo muitos, durante a Guerra Fria, quando as autoridades ficharam milhares de simpatizantes esquerdistas.

Tags:
Edições digital e impressa