Rio de Janeiro, 25 de Setembro de 2026

Suíça e EUA fecham acordo e vão fiscalizar 4,4 mil contas suspeitas

A Suíça e os Estados Unidos assinaram, nesta quarta-feira, o acordo alcançado na semana passada para regulamentar a disputa entre o UBS, principal banco suíço, com o fisco norte-americano. Segundo o acordo, os dados de 4.450 contas de clientes norte-americanos serão transmitidos no prazo de um ano para as autoridades dos EUA. (Leia Mais)

Quarta, 19 de Agosto de 2009 às 10:00, por: CdB

A Suíça e os Estados Unidos assinaram, nesta quarta-feira, o acordo alcançado na semana passada para regulamentar a disputa entre o UBS, principal banco suíço, com o fisco norte-americano. Segundo o acordo, os dados de 4.450 contas de clientes norte-americanos serão transmitidos no prazo de um ano para as autoridades dos EUA, segundo anúncio do governo suíço. Em troca, os EUA renunciam a adotar medidas unilaterais para obter as informações. A medida coloca em cheque o segredo bancário do país e dá asas ao discurso do militante de esquerda, o sociólogo Jean Ziegler, que previu a quebra dos bancos suíços.

Segundo Doug Shulman, comissário do Internal Revenue Service (IRS, a Receita Federal norte-americana), essas contas, em dado momento, já tiveram cerca de US$ 18 bilhões em ativos. Porém, muitas delas foram fechadas desde então. Entre as contas suspeitas, segundo fonte no IRS, estariam a de alguns brasileiros que, ao longo dos últimos 20 anos, movimentaram somas bilionárias entre os EUA e os bancos suíços.

O UBS possui as contas de cerca de 52 mil norte-americanos, entre os quais se encontram os 4.450 suspeitos de transações ilegais que serão divulgados.

– Eu acredito que esse acordo nos dará o que queremos, o acesso à informação sobre quais dos clientes americanos do UBS estão envolvidos em evasão de divisas para não pagar impostos – disse Shulman, aos jornalistas.

Embora as partes tivessem chegado a um acordo na semana passada, os detalhes somente foram divulgados nesta manhã (horário local). O acordo busca ajudar na recuperação da imagem do banco suíço, afetada depois que o governo dos EUA solicitou informações sobre 52 mil clientes norte-americanos do banco. A divulgação definitiva dos termos também deve pavimentar o caminho para que o governo suíço venda sua fatia de 9% do UBS.

O UBS, porém, segundo maior administrador de fortunas do mundo, levará algum tempo para que os estragos em sua reputação sejam apagados. Durante o segundo trimestre deste ano, o banco registrou saques de US$ 37,2 bilhões, que deverão continuar por algum tempo, como prevêem analistas.

No segundo trimestre deste ano o banco registrou prejuízo líquido de US$ 1,3 bilhão, contra prejuízo de US$ 371 milhões em igual período de 2008. Na comparação semestral, entretanto, o UBS registrou redução de 71,9% nas perdas, que totalizaram US$ 3,1 bilhões, contra US$ 11,3 bilhões registradas no primeiro semestre do ano

O caso se transformou no tema bilateral mais delicado nas relações entre Estados Unidos e Suíça.

Lava mais branco

Durante cerca de trinta anos, Jean Ziegler foi considerado pelos suíços como o seu pior inimigo, ironizado pelos jornais e considerado palhaço pelos cartunistas suíços, tudo por ter escrito um livro best seller, em 1976 – A Suíça Acima de Qualquer Suspeita, no qual denunciava o segredo bancário suíço. Funcionário da ONU na África, na época da independência do Congo e do assassinato do líder Lumumba, Ziegler tinha sido amigo de Che Guevara. Em sua autobiografia, Ziegler conta ter sido o Che quem, na sua juventude, lhe pediu para ficar na Suíça e lutar contra os banqueiros suíços.

Durante duas décadas, como deputado estadual e federal por Genebra, manteve atuação marcante na política suíça, sem deixar seu posto de professor de sociologia em Genebra e na Sorbonne, em Paris. Foi seu livro A Suíça Lava Mais Branco, que lhe trouxe os maiores problemas e provocou o fim de sua carreira política. Seus colegas do Parlamento, ao contrário do hábito, votaram a retirada de suas imunidades parlamentares, para forçá-lo a responder os processos movidos pelos banqueiros.

O próprio Partido Socialista lhe negou a candidatura para um terceiro mandato por Genebra. Mesmo assim, em plena tormenta econômica, quando precisou mesmo vender seu carro para pagar advogados, conseguiu um novo sucesso com o livro A Suíça, o Ouro e os Mortos, no qual contou o roubo das economias dos judeus mortos no Holocausto pelos bancos suíços e onde expôs a teoria de que, sem a Suíça para lavar o ouro roubado pelos nazistas, a Segunda Guerra teria terminado em 1942.

Tags:
Edições digital e impressa