Não houve o tão temido "Não" à livre circulação dos cidadãos da UE na Suíça, principalmente pelos setores industriais da Suíça, embora as sondagens quanto aos resultados do referendo dessem resultados apertados até o fim de semana, mantendo um clima de suspense mesmo entre os jornalistas e correspondentes.
O clima se parecia muito com o de um importante referendo realizado no dia 6 de dezembro de 1992, quando os suíços deveriam aceitar ou não a adesão ao Espaço Economico Europeu. Havia um suspense geral, mas vigorava o otimismo, tanto que o resultado negativo, o Não popular, constituiu uma terrível surpresa para o próprio governo.
O então ministro da Economia, Pascal Delamuraz, pronunciou uma frase histórica, qualificando aquela data como o “domingo sombrio” da Suíça, que impedia uma aproximação com a União Européia. Em 92, tudo tinha sido previsto inclusive as medidas legais de acompanhamento.
Neste domingo, o Sim surpreendeu porque não só foi vitorioso, como foi bem claro e marcante com 59,6 % dos votos, havendo cantões com quase 70% e registrando-se apenas três cantões da Suíça profunda e o Ticino, que votaram contra a recondução da livre circulação das pessoas da União Européia, com a inclusão dos dois mais recentes membros a Romênia e a Bulgária.
Aceitação definitiva dos acordos com a UE
O Sim suíço significa a aceitação definitiva dos tratados bilaterais celebrados com a UE, em número de 7, incluindo as principais atividades comerciais e industriais. Significa tambem a possibilidade dos cidadãos dos 27 países da UE poderem viver e exercer sua profissão na Suíça e permite aos suíços a possibilidade de também poderem trabalhar nos países da União Européia.
Assim, não será colocada em questão a presença, aqui na Suíça do grande contingente de alemães, atuantes principalmente no setor da saúde, médicos, dentistas, parteiras, enfermeiras, que preocupava muitos hospitais, pois por falta de pessoal capacitado, a Suíça poderia enfrentar um grande problema, se os vistos de permanência dos alemães fossem retirados.
Isso também incluí os portugueses, que são numerosos nos setores da construção e da hotelaria, onde vêem trabalhando há mais de dez anos, suplantando os imigrantes vindos do Leste.
Embora a extrema-direita populista fizesse medo ao povo com o risco de perda de empregos, num momento de crise, com seus cartazes mostrando corvos comendo o queijo suíço, na verdade o governo prevê medidas de acompanhamento para evitar o dumping salarial e concorrencia desleal no mercado de trabalho.
Uma abertura da Suíça para a União Européia
A votação dos Suíços, pelo fato de ser marcante e incontestável, assinala um novo tipo de relacionamento com a UE. É o fim das consequencias do domingo sombrio que provocou numerosas crises economicas na Suíça, inclusive a falência da empresa aérea Swissair, por lhe tornar impossível manter suas escalas nos países europeus.
Ao contrário dos medos provocados pelo Partido do Povo, populista, a livre circulação definitiva dos rumenos e bulgaros será feita gradativamente nos próximos sete anos.
A vitória do Sim assinala também que a Suíça não será mais refém dos Partido do Povo, que a cada ano provoca referendos contra imigrantes ou contra as relações com a UE. Existe uma abertura nunca antes vista para um relacionamento amplo com a UE em todos os setores, provocado principalmente pelo acesso às urnas de um eleitorado jovem que quer trabalhar na UE e agir como europeu. Pode-se mesmo vaticinar uma adesão da Suíça à UE nos próximos cinco ou dez anos. Em contrartida, perde força e importancia o Partido do Povo até agora o primeiro partido suíço.
Rio de Janeiro, 07 de Outubro de 2026
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