O segredo bancário suíço, criado em 1934, pode não acabar agora porém não será mais o mesmo. A Suíça vive um pesadelo provocado pela fraude da União de Bancos Suíços nos Estados Unidos.
A Suíça acuada pelos EUA e pela UE tenta desesperadamente salvar seu segredo bancário, mas tudo indica que essa força financeira suíça está na fase terminal.
O presidente suíço Hans Rudolph Merz terá encontros neste domingo (8.3.09) com os dirigentes austríaco e luxemburguês, sendo possível um encontro com o secretário americano do Tesouro, Timothy Geithner, na reunião do FMI, em Londres.
Enquanto isso, a União de Bancos Suíços, acusada de fraudar o fisco americano, passou a ter um alemão, Oswald Gruebel, na sua direção, e o ex-ministro das Finanças, Kaspar Villiger, na presidência. Dois aposentados que voltam à ativa e levantam a pergunta sobre suas capacidades.
A UBS nega-se a fornecer aos EUA novos nomes de clientes americanos, provocando, em Nova Iorque, irritação do presidente da Comissão do Senado, enquanto na próxima reunião do dia 2 de abril do G20, é quase certa a inclusão da Suíça na lista negra dos paraísos fiscais. Qual será a posição do Brasil, que perdeu mais de 130 bilhões em evasões e fraudes, depositados em contas secretas suíças ?
Em Genebra, no Clube suíço da imprensa, o presidente suíço Hans Rudolph Merz, declarou que as pressões contra a Suíça são consequencia da crise e admitiu a possiblidade de concessões em termos de imposições fiscais, mas sem atentar contra o segredo bancário.
Não posso imaginar que se possa acabar com o segredo bancário, por que ? disse o presidente suíço. O segredo bancário faz parte da nossa mentalidade e do nosso país, é a proteção da nossa privacidade, é a proteção da nossa atmosfera privada, e não vejo nenhuma razão pela qual deveríamos deixar o segredo bancário.
O jornalista Frédéric Lelièvre, chefe de Economia e Finanças, do prestigioso jornal suíço Le Temps, faz uma distinção entre segredo e fraude, segundo a qual o que se quer impedir é a possibilidade de fraude e evasão fiscal nas contas de estrangeiros nos bancos suíços.
A origem da crise foi a operação montada pela União de Bancos Suíços que permitia aos americanos fraudar o fisco, crime punido com prisão nos EUA.
Para Frédéric Lelièvre ainda não se pode afirmar se vivemos a véspera da morte do segredo bancário e isso porque a Suíça se mobiliza.
“A resistência se organiza, diz ele. Neste domingo, o ministro das Finanças e presidente da Suíça, Hans Rudolph Merz irá ao Luxemburgo para se encontrar com seus colegas luxemburguês e austríaco. Vão preparar uma resposta ao que o G20 prepara, ou seja a inscrição da Suíça, Austria e Luxemburgo na lista negra dos paraísos fiscais, vão tentar reagir. Vão tentar encontrar soluções para limitar o desastre. A Suíça, por sua vez, se tiver de aceitar certas restrições, só o fará se outros lugares concorrentes também tiverem restrições como o Delaware e Londres, por exemplo, que oferecem vantagens bancárias equivalentes".