O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, fez um apelo na quarta-feira (21/09) a novos esforços pelo processo de paz no Oriente Médio durante os debates na Assembleia Geral em Nova Iorque.
A presidente da Confederação Helvética e ministra suíça das Relações Exteriores, Micheline Calmy-Rey, também abordou o tema durante discurso.
Foi a última participação nos debates de abertura da Assembleia Geral da ONU em Nova Iorque. Calmy-Rey se retira do governo federal depois de anos exercendo o cargo de ministra das Relações Exteriores.
Ela conclamou à comunidade internacional se empenhar mais pela justiça social e o desenvolvimento sustentável.
Os acontecimentos no mundo árabe nos últimos meses "nos fizeram lembrar que a democracia é a irmã gêmea do desenvolvimento sustentável", declarou a ministra.
Ao final, foi a falta de liberdade política, combinada com a injustiça, e a falta de perspectivas econômicas que levaram às mudanças fundamentais no mundo árabe. Essa transição seria um progresso para novos grupos sociais, a juventude, mulheres e a sociedade civil.
Muitos países estão passando por um momento delicado, que representa no seu conjunto um grande desafio para a ONU. Agora se trata de apoiar as mudanças e promover o desenvolvimento sustentável.
Calmy-Rey também manifestou pesar pelo fato do otimismo trazido pela Primavera Árabe não ter dado um novo impulso no processo de paz entre Israel e a Palestina.
Ainda há um ano havia a esperança de que os dois lados conseguissem chegar a um acordo e que a ONU teria permitido a adesão de um novo membro.
Hoje "constatamos com amargura que no ano passado, ao invés de progresso, houve uma estagnação e endurecimento das posições", lamentou a presidente da Confederação Helvética.
"É um fato de que a comunidade internacional não conseguiu resolver o conflito entre Israel e Palestina durante os últimos sessenta anos. O processo de paz substituiu a própria paz."
Calmy-Rey se lembrou da Iniciativa de Genebra, uma proposta apoiada pela Suíça. O acordo originado da sociedade civil seria hoje um plano muito mais concreto e detalhista, além de ser compatível com outros contextos internacionais. O Acordo de Genebra foi disponibilizado às esferas políticas com poder de decisão, mas também à população, que teria direito à paz.
Frente aos representantes da mídia helvética, Calmy-Rey reforçou antes do discurso o apoio da Suíça à solução dos dois Estados no conflito do Oriente Médio. Ela permitiria o convívio pacífico de dois países vizinhos.
Questionada sobre a posição oficial em relação ao pedido de reconhecimento do Estado palestino como membro pleno das Nações Unidas, a ministra respondeu que a Suíça não tem nenhum assento no Conselho de Segurança. Assim a Suíça determinaria sua posição quando uma resolução for levada à Assembleia Geral.
Calmy-Rey defendeu uma solução para conflitos que envolvesse mais negociação e mediação. "A ONU deve se esforçar mais por isso". É mais sustentável resolver conflitos através da solução de disputas, e não por vitórias militares. Prevenção custa menos do que custosas missões de manutenção da paz.
Na prevenção de conflitos também o Conselho de Segurança teria um papel fundamental. A Suíça saúda um engajamento mais intenso e sustentável dele na diplomacia preventiva.
E para que o Conselho de Segurança possa dar uma contribuição de valor à paz e à segurança, ele precisa se adaptar à realidade atual do mundo, refletindo melhor dessa forma a constelação política do século 21.
A Suíça trabalhou com muitos outros países soluções práticas e concretas de como permitir que o Conselho de Segurança trabalhe de forma mais aberta e transparente, melhorando também a participação dos não membros nos trabalhos consultivos.
Frente à Assembleia Geral da ONU, a ministra suíça despediu-se "sem nostalgia", como explicou à imprensa seu sentimento na última aparição nesse grêmio. "E como cidadã suíça, permanecerei sempre interessada na ONU."
Rita Emch, swissinfo.ch
Nova Iorque
Adaptação: Alexander Thoele