Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026

Suécia: Governo admite que país perseguiu ciganos por um século

Domingo, 30 de Março de 2014 às 07:35, por: CdB
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Crianças ciganas são separadas de seus pais em países europeus que caçam esta etnia há séculos
O governo conservador sueco apresentou esta semana o Livro Branco, no qual admite que a Suécia tratou, ao longo de um século, os ciganos como "incapacitados sociais" e, por isso, esterilizou-os, perseguiu-os, retirou-lhes as crianças, bem como impediu a entrada de pessoas desta etnia no país. A perseguição à comunidade cigana voltou a se intensificar na UE. O objetivo da divulgação dos dados sobre a forma como foi tratada a comunidade cigana passa por acertar as contas com o passado. "A situação em que vivem os ciganos hoje relaciona-se com a discriminação histórica a que foram submetidos", lê-se no documento, no qual são detalhados os abusos cometidos contra os ciganos a partir de 1900. Segundo assinala o Livro Branco, os abusos começaram com os censos elaborados por organismos oficiais como o Instituto para Biologia Racial ou a Comissão para a Saúde e o Bem-estar, que identificaram os ciganos que habitavam no país. Nos primeiros documentos oficiais, a comunidade cigana é descrita como “um grupo indesejável para a sociedade”. Entre 1934 e 1974, o Estado promoveu a esterilização forçada das mulheres ciganas. Ainda que não existam dados oficiais, o Ministério da Integração avança que uma em cada quatro famílias consultadas conhece algum caso de aborto forçado e esterilização. Os organismos governamentais também retiraram crianças a várias famílias ciganas. Tratava-se de "uma prática sistemática", segundo afirmou Sophia Meteluis, assessora do Ministério da Integração, citada pelo jornal espanhol El País. Estocolmo admitiu também ter proibido a entrada de ciganos na Suécia até 1964, inclusive durante a II Guerra Mundial, durante a qual cerca de 600 mil ciganos foram assassinados pelos nazistas. O ministro de Integração sueco, Erik Ullenhag, definiu essas décadas como “um período escuro e vergonhoso da história sueca”. Na sexta feira, porém, registou-se um episódio que retrata como a discriminação contra a comunidade cigana ainda existe neste país. O porteiro do Hotel Sheraton, onde foi apresentado o Livro Branco, não permitiu a entrada de uma mulher cigana convidada pelo executivo sueco a testemunhar na sessão. Segundo sublinha o diário conservador espanhol El Pais, “a ciganofobia cavalga com força na França, Grã-Bretanha e Alemanha”. Em 2013, Paris desalojou mais de 20 mil ciganos. Já o governo alemão prepara uma lei que visa evitar que os migrantes romanos e búlgaros desempregados fiquem mais de seis meses no país. Na Hungria, Eslováquia e República Checa registam-se picos de ódio racial. Na Suécia, onde vivem atualmente mais de 50.000 ciganos, as autoridades ainda não contemplam a compensação aos familiares das vítimas de abusos.
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