O rio Danúbio bateu o recorde de cheia na Sérvia nesta segunda-feira e, segundo autoridades, ameaça romper diques e espalhar o caos pelo sudeste da Europa. Alimentado por fortes chuvas e pela neve derretida da Europa central, o rio atingiu, no final da semana, na Romênia e na Bulgária, seu maior nível dos últimos 111 anos, obrigando milhares de pessoas a sair de suas casas e ameaçando inundar os lares de outras dezenas de milhares.
As autoridades sérvias disseram que o Danúbio ainda deve encher mais perto da fronteira com a Romênia, apesar de seu nível ter se estabilizado em outros pontos.
- A situação está sob controle ao longo de todo o curso do Danúbio na Sérvia. Agora temos de observar a persistência da pressão nas barreiras, já que, segundo previsões, a água deve continuar alta nos próximos dez a 15 dias. Isso pode provocar vazamentos nos diques ou até mesmo rompimentos. Nossas equipes precisam ficar atentas - afirmou à agência inglesa de notícias Reuters Goran Kamcev, chefe da força-tarefa sérvia de prevenção contra enchentes.
Grande parte dos Bálcãs ainda se recupera das enchentes do ano passado, responsáveis por afogar várias pessoas e destruir um grande número de casas, plantações e instalações de infra-estrutura, provocando prejuízos de milhões de euros. O Danúbio atingiu seu nível recorde em Belgrado no domingo, mas cerca de 250 quilômetros de defesas contra enchente resistiram e impediram grandes transbordamentos. As autoridades afirmaram que a água no solo ainda poderia provocar problemas como o deslizamento de terras.
Enchentes foram registradas em Ritopek, seguindo o curso do rio para além de Belgrado. Ali, segundo as autoridades, as pessoas estavam precisando de sacos de areia e água potável.
Desabrigados
As enchentes controladas na Romênia, durante o final de semana, diminuíram a velocidade de subida do rio no país e, em alguns pontos, permitiram até mesmo que o nível do Danúbio baixasse. No entanto, segundo autoridades, o grande volume de água vindo da Sérvia chegaria à região nos próximos dias. Mais de 730 romenos fugiram de suas casas e as enchentes atingiram ao menos 500 lares e 38 mil hectares de terra arável.
Segundo as autoridades, elas inundariam outros 26 mil hectares de terra na margem norte do Danúbio, nesta semana.
- Estamos em alerta e fazendo todo o possível para evitar danos e salvar vidas. Pedimos às Forças Armadas, à polícia e aos paramilitares que nos ajudem a reforçar os diques com sacos de areia - afirmou Chirica Lefter, representante do governo para o condado de Tulcea.
Cerca de 500 moradores estavam prontos para ser retirados de Tulcea se a situação piorar. No vilarejo de Negoi, no sul da Romênia, imagens de TV mostraram paramilitares em botes ajudando as pessoas a escapar de casas que desmoronavam. Na Bulgária, mais de cem pessoas fugiram das águas em cidades como Nikopol, onde metade das casas ficou parcialmente coberta pelo rio.
Trabalhadores de órgãos da defesa civil preparavam-se para retirar centenas de pessoas mais.
- Esperamos que o nível das águas suba. Não há diques rompidos ainda, mas preparamos um plano para retirar cerca de 600 pessoas de Zabavanovo, um vilarejo situado 2 metros abaixo no nível das defesas contra enchente - disse Georgi Linkov, chefe do departamento de defesa civil de Pleven, norte da Bulgária.
As águas cada vez mais volumosas obrigaram a Romênia a interromper o tráfego na ponte do Danúbio, a única ligação por auto-estrada entre os países vizinhos da região que passa pelo rio. No porto de Vidin, no noroeste da Bulgária, o rio chegou a um nível recorde de 968 centímetros. Soldados, trabalhadores da defesa civil e outras pessoas continuavam fortalecendo os diques e preparando uma cidade de barracas para as pessoas a serem retiradas de suas casas no caso de as barreiras cederem.