O Sudão prometeu neste sábado desarmar as milícias árabes conhecidas como Janjaweed, que expulsaram de suas casas mais de um milhão de africanos em Darfur, na região oeste do país, e aceitar a presença de fiscais de direitos humanos na área.
"O governo do Sudão se compromete a começar imediatamente a desarmar as Janjaweed e outros grupos armados ilegais," anunciou o governo em um comunicado emitido junto com a Organização das Nações Unidas (ONU), que foi assinado no aeroporto de Cartum, pouco antes da saída do secretário-geral da entidade, Kofi Annan.
Annan vistiou o Sudão e o Chade, passando por campos de refugiados nos dois países, para avaliar a situação e pressionar o governo sudanês a ampliar o acesso das agências de ajuda humanitária àqueles que foram expulsos de suas casas.
Segundo a ONU, dois milhões de pessoas estão envolvidas nos conflitos entre os nômades árabes e os moradores africanos em Darfur, e o fluxo de pessoas refugiadas criou uma das piores crises humanitárias do mundo. A disputa é antiga, mas se intensificou no ano passado, quando rebeldes acusaram Cartum de prover armas às Janjaweed. O governo nega a afirmação.
Cerca de 200 mil pessoas fugiram ao Chade e, de acordo com as agências de ajuda humanitária, milhares podem morrem de doenças e fome durante a estação chuvosa que está para chegar, ao menos que uma operação em massa seja organizada.
No comunicado, o governo do Sudão prometeu deslocar supervisores de direitos humanos para documentar abusos em todos os sentidos em Darfur. Também garantiu que nenhuma milícia chegará perto dos locais que servem de abrigo a um milhão de pessoas e que policiais farão a segurança.