Chefe de direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), Louise Arbour disse nesta segunda-feira que "centenas" de civis podem ter morrido em ataques de milícias na região de Darfur, no Sudão, no final de agosto. O gabinete da Alta Comissária para os Direitos Humanos disse, em nota, que os ataques parecem ter sido realizados com "o conhecimento e apoio material" do governo.
"Os ataques...foram grandes em escala, envolvendo muitos vilarejos, e foram realizados durante alguns dias. Conhecimento, ou cumplicidade, do governo nos ataques é quase certeza. O comissariado exorta o governo do Sudão a ordenar uma investigação independente sobre os recentes ataques das milícias, que podem ter deixado centenas de civis mortos em Darfur", disse em nota o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur).
O comissariado havia estimado o número de mortes nos ataques perto de Buram em 38. Segundo o Acnur, muitas das 10 mil pessoas que vivem em 45 vilarejos atingidos pelos ataques, iniciados em 28 de agosto e que duraram até setembro, foram forçadas a fugir. Mas a instituição revisou os números no seu último relatório sobre a situação em Darfur.
"Os ataques em larga escala resultaram em deslocamentos caóticos, separação de famílias e muitas crianças desaparecidas", disse o relatório. "A maioria das vilas atacadas estavam sob controle do governo", acrescentou.
A violência em Darfur deixou dezenas de milhares de mortos desde 2003, e mais de dois milhões de pessoas fugiram de suas casas depois que o conflito étnico entre tribos árabes nômades e não-árabes virou uma guerra.
Rebeldes dizem que defendem os agricultores "africanos" contra o governo e sua milícia aliada Janjaweed, acusada pelos Estados Unidos de atos de genocídio.