O processo de transição começará em julho. 98% da população do Sudão votou pela separação do sul do norte do país
09/02/2011
da Redação
Mais de 98% dos eleitores que participaram do referendo a respeito da independência do sul do Sudão votaram a favor da separação do norte do país. O resultado, divulgado nesta segunda-feira (07), foi recebido com alegria pelos sudaneses do sul.
O presidente do Sudão, Omar al-Bashir, aceitou o resultado da consulta popular, realizada entre 9 e 15 de janeiro, na qual votaram aproximadamente 4 milhões de pessoas, e afirmou que o processo de transição será iniciado em 9 de julho.
Diversos países manifestaram apoio à divisão do Sudão em dois territórios. O governo brasileiro publicou uma nota em que expressa o seu apoio para que tanto o norte quanto o sul do Sudão, o mais breve possível e em um clima de cooperação, possam entrar em acordo sobre as questões ainda pendentes da separação.
“O governo brasileiro saúda o povo do Sudão pelo ambiente pacífico e a forma transparente com que foi conduzido o referendo e cumprimenta as autoridades do Norte e do Sul por sua disposição para o entendimento e o diálogo”, diz a nota.
A Organização das Nações Unidas (ONU), através de seu secretário-geral, Ban Ki-moon, agradeceu ao presidente sudanês, Omar al-Bashir, e ao líder do sul do Sudão, Salva Kiir Mayardit, por terem cumprido a promessa de manter a paz e a estabilidade durante o período eleitoral. A União Africana (UA) também comemorou o resultado do pleito.
A independência do sul do Sudão trará consequências ao futuro da economia de todo o Sudão. O norte e o sul são economicamente interdependentes: enquanto o sul tem a maior reserva de petróleo do país, o norte abriga as refinarias, o gasoduto e o porto para escoar o produto. Por isso, a comunidade internacional pede a ambos os lados esforços para que evitem qualquer tipo de confronto no processo de transição.
O referendo é a conclusão do Acordo de Paz assinado em 2005 pelo norte e o sul do Sudão, que pôs fim a décadas de guerra civil que deixaram mais de dois milhões de mortos. O sul do país é de maioria cristã e o norte predominantemente muçulmano.