Os cardeais encarregados de designar um sucessor ao Papa, que morreu no Vaticano às 21h37min locais deste sábado (16h37min de Brasília), não elegerão um "clone" de João Paulo II, mas ao contrário, indicarão "um homem muito diferente" do Papa falecido, afirmou neste sábado o cardeal Jean-Claude Turcotte, arcebispo de Montreal.
- Não poderemos escolher outro João Paulo II. Não haverá um João Paulo III para substituir o Papa. Será um homem muito diferente - declarou Turcotte durante uma entrevista coletiva em Montreal.
- A qualidade que sempre admirei em João Paulo II é sua proximidade a Deus, e trataremos de escolher o homem que nos pareça mais próximo de Deus - acrescentou o cardeal - O próximo Papa será tão fiel à doutrina religiosa quanto João Paulo II - destacou.
Entenda como será a escolha do novo Papa
Em 16 de outubro de 1978 foi eleito Papa o Cardeal Karol Wojtyla, o primeiro Papa não italiano desde o século XVI. Sua atuação corajosa contribuiu para o fim do comunismo na Polônia, sua pátria, e no leste europeu. Foi o Papa que mais se destacou por todo o mundo fazendo quase uma centena de viagens internacionais.
Segundo a Constituição Apostólica, o governo da Igreja é assumido pelo Colégio Cardinalício, enquanto o trono papal estiver vago, mas as funções do governo provisório resumem-se somente aos assuntos inadiáveis.
A escolha do novo Papa teve sua regra ditada por João Paulo II em 1996; tem início 15 a 20 dias após a morte (ou renúncia) do Sumo Pontífice, na Capela Cistina, Cidade do Vaticano.
O Colégio de Cardeais é o responsável por escolher quem sucederá o Papa. Votam na escolha do líder religioso todos os cardeais, de diversas nacionalidades, com menos de 80 anos. O processo de votação, chamado de conclave, é secreto, os cardeais do Colégio Cardinalício são convocados e recebem um boletim de voto em branco onde escrevem o nome do seu escolhido e colocam a cédula na urna, que fica no altar, para exaltar a responsabilidade do ato que estão realizando.
Após a contagem dos votos, os boletins são queimados em um fogão que está ligado a uma chaminé visível da Praça de São Pedro. Não tendo sido determinado o sucessor, os boletins serão queimados em conjunto com lenha e pez, o que produzirá uma fumaça negra. Havendo um eleito as cédulas de votação são queimadas individualmente, fazendo com que seja liberada uma fumaça branca. Ao ver o fumo sabe-se que há um resultado. Isto se repete em todas as Igrejas Católicas do mundo. Depois disso é necessário que o eleito aceite ou não o cargo, e escolha um nome. Karol Wojtyla aceitou com lágrimas nos olhos e escolheu o nome João Paulo II, por suceder a João Paulo I.
Especialistas acham muito difícil prever um perfil do próximo pontífice, acredita-se que o maior desafio do sucessor de João Paulo II será firmar a paz ecumênica com a Igreja Ortodoxa russa, para isso será necessária uma visita a Moscou.
Para ser eleito Papa é preciso ter fé católica, ser do sexo masculino, solteiro e estar com sanidade mental. Além disso, é preciso ter qualidades relevantes de governo. Os cardeais normalmente escolhem o novo Papa no Colégio Cardinalício, embora não seja impossível que escolham um Bispo. (Carolina Orofino)