Rio de Janeiro, 30 de Setembro de 2026

Sucesso na Baixada Santista, Arizinho trabalha por acesso no São Vicente

Terça, 19 de Julho de 2011 às 07:34, por: CdB

Fabrício Cortinove Pelachine
Especial para o site da FPF

O treinador Heraldo de Almeida, o Arizinho, é um dos trunfos do São Vicente para conseguir o acesso na Segunda Divisão do Campeonato Paulista deste ano. O técnico de 66 anos possui uma história rica nos clubes da Baixada Santista, que inclui uma carreira curta como jogador de futebol, porém marcante, principalmente pela passagem na Portuguesa Santista, clube onde foi revelado durante a década de 1960 e viveu os melhores momentos como atleta.

Apelidado de Arizinho por um treinador ainda nos tempos de juniores e amigo de seu pai, que se chamava Ari, o profissional ainda defenderia como meia-direita o São Paulo de Londrina, Sociedade Esportiva Perdigão (SC) e Marília, todos por empréstimo. Neste último, inclusive, seria campeão da Primeira Divisão do Campeonato Paulista em 1971, competição que garantia direito de disputar a Divisão Especial (atual Série A1) no ano seguinte.

Com a carreira encerrada em 1971, no próprio Marília para seguir em outra área, Arizinho voltaria a trabalhar com o esporte no início da década de 1990, no Jabaquara, exercendo a função de supervisor de futebol, e em seguida gerente do clube que o revelou como atleta, a Portuguesa de Santos. Nesta época ajudou a montar junto com Pepe, treinador da época, a equipe que surpreendeu a todos em 2003, chegando até a fase semifinal do Campeonato Paulista.

Depois do sucesso desta passagem, o profissional iniciou uma nova fase no futebol no São Vicente, primeiro como auxiliar técnico em 2007 e depois como treinador do clube na temporada seguinte, sendo esta a primeira experiência na profissão. Arizinho retornou em 2011 para novamente comandar a equipe praiana.

FPF: Vivendo em diferentes épocas no futebol, quais foram as principais mudanças que você percebeu neste esporte?
Arizinho: O futebol se transformou em um grande negócio, o Neymar é um exemplo desta nova fase, pois é um grande craque e também um produto no mercado. Antigamente tínhamos a paixão e eu jogava na Portuguesa pelos amigos que tinha lá. O meu pai jogava de ponta, mas achava que eu precisava estudar primeiro. Já na atualidade o pai quer que o filho vire jogador, mesmo sabendo que apenas alguns terão sucesso e o preparo na vida é preciso.

FPF: Em sua opinião, quais foram as mudanças impostas pela preparação física no futebol durante estes anos?
Arizinho: A condição física é muito superior hoje em dia. Na atualidade existe um estudo para cada jogador e isso na minha modesta opinião estragou o esporte, pois antigamente era um futebol muito mais romântico e o jogador que tinha mais condicionamento físico atuava na lateral para a bola não sair do campo, enquanto o mais inteligente era escolhido para jogar no meio de campo.

FPF: O seu histórico como jogador ajuda você agora como técnico?
Arizinho: Ajuda, pois sempre fui muito observador e procurei fazer um caminho no futebol. Joguei sob o comando de vários nomes e tudo isso fui agregando até com experiências também não esportivas. Joguei contra jogadores inteligentes como o Ademir da Guia e trabalhei com nomes como o Pepe e isso me ajudou muito.

FPF: Quais eram os seus ídolos quando jogador?
Arzinho: Gostava muito do ponta-esquerda do Cruzeiro Hilton Oliveira, joguei contra o Pelé também e tive a oportunidade de atuar com o Pagão, para mim o jogador mais técnico com quem joguei na época da Portuguesa Santista. O Pagão não tinha condições físicas de jogar, então corríamos por ele durante os jogos.

FPF: Você era gerente de futebol da Portuguesa Santista, que chegou até a semifinal do Campeonato Paulista de 2003, como foi a montagem daquela equipe?
Arizinho: Aquele time montamos sem recursos financeiros e foi nesta oportunidade que aprendi admirar o Pepe (técnico da época), pois éramos amigos há muito tempo, mas ainda não tínhamos trabalhado juntos. Montamos aquela equipe fazendo peneira e na primeira que fizemos apareceu o Souza e pensei: vou pegar este meia e levá-lo para a secretaria para assinar contrato já. Tínhamos o Rico também, um atacante velocista e arrumamos a defesa com o Adriano e Fabrício. Para o gol trouxemos o Maurício, que fez um grande campeonato, além do Dinei, uma figura maravilhosa e mesmo contundido nos incentivava muito.

FPF: Quais são os técnicos em que você se inspira?
Arizinho: Sou muito fã do Dorival Junior, pois ele cobra do grupo aquilo que é preciso fazer. Não o conheço pessoalmente, mas gosto dos seus trabalhos. Gosto também dos estilos do Pepe, era um tipo paizão, o Sério Guedes é um cara mais conversador, o Lula já era mais de impor as coisas e o Muricy está na crista da onda e vai ter muita coisa para fazer futebol. A ideia é misturar todos estes aprendizados. 

FPF: Quais foram os melhores jogadores que se destacam no futebol que você acompanhou fora dos gramados?
Arizinho: O Souza foi o que mais chamou atenção, pois atingiu degraus mais altos. O Jorginho, hoje treinador na Portuguesa, é um cara sensacional e o Darci era um grande jogador e uma bela pessoa. São nomes que trazem boas recordações assim como o Lima, Tico Mineiro e o Capitão.

FPF: O sucesso do Santos nas últimas temporadas pode influenciar de que forma os jogadores do São Vicente, que ainda estão buscando o seu espaço no futebol?
Arizinho: O Robinho é daqui (São Vicente) e em determinado momento da vida os nossos jogadores se espelham nele, contra quem até já jogaram juntos, mas a grande maioria não se ilude e conhece o seu destino. Lembro do Neymar no sub 11 da Portuguesa, já se destacando, mas o importante para os jogadores é conhecer os seus limites para superá-lo

FPF; Quais são os seus planos para o futuro?
Arizinho: Tenho certo prestígio aqui na Baixada Santista. Gosto do meu trabalho e acredito que ainda tenho um bom caminho pela frente. Vamos ver o que acontece, o meu nome é reconhecido e não me considero velho para esta profissão, mesmo com outros surgindo no mercado.

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