O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, avaliou que o resultado da última reunião em Genebra da chamada Rodada Doha tem um efeito negativo na crise mundial de alimentos. Segundo ele, a questão principal que pode prejudicar a produção em países pobres é a produção de commodities agrícolas subsidiadas em países ricos.
– A relação do acordo com a crise de alimentos reside na questão dos subsídios. Não apenas, mas é a principal. Quando se planta nos Estados Unidos ou na Europa de forma subsidiada, se desestimula a produção em países pobres – explicou o ministro, na manhã desta quinta-feira, em entrevista a emissoras de rádio.
– Os investimentos do setor produtivo dependem que haja um estímulo de mercado. O que a Rodada Doha faz é criar esse ambiente positivo para estimular os investimentos. Se falhar, esse estímulo não é criado – disse.
O ministro evitou usar o termo fracasso para as negociações, já que o governo brasileiro não considera encerradas as conversas com os demais países com o objetivo de fechar acordos multilaterais que garantam boas condições de produção para os emergentes.
O próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em viagem a Pequim, onde participará da abertura dos Jogos Olímpicos, conversou sobre o assunto com o presidente da China, Hu Jintao, e pretende telefonar para o primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, na tentativa de retomar as negociações.
Na semana passada, a questão foi assunto de conversa por telefone de Lula com o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush.Na opinião de Amorim, embora a falta de acordo provoque sérios prejuízos ao Brasil, o país ainda tem condições de enfrentar a concorrência no mercado internacional em melhores condições que os países pobres.
– Talvez até o Brasil tenha condições de resistir, de enfrentar esses subsídios, embora eles nos causem prejuízos graves. Nós fomos à Organização Mundial do Comércio (OMC) para reclamar deles. Mas há países mais pobres e com menos recursos que o Brasil, que não têm uma Embrapa como o Brasil tem e que não têm condições de enfrentar um produção subsidiada dos países ricos – disse.
– É um paradoxo. Têm-se algo que poderia ser até utilizado como ajuda alimentar mais que cria uma dependência , uma incapacidade dos países mais pobres de atenderem a sua própria demanda ou a demanda de outros países – completou o ministro.
Subsídio em países ricos prejudicará produção de alimentos mundial
Na semana passada, a questão foi assunto de conversa por telefone de Lula com o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush.Na opinião de Amorim, embora a falta de acordo provoque sérios prejuízos ao Brasil, o país ainda tem condições de enfrentar a concorrência no mercado internacional em melhores condições que os países pobres. (Leia Mais) Investimentos do setor produtivo dependem que haja um estímulo de mercado
Quinta, 07 de Agosto de 2008 às 10:03, por: CdB