Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Subcomissão condena atitude racista de jogador argentino

Sexta, 15 de Abril de 2005 às 07:41, por: CdB

Em sua primeira reunião, a recém criada Subcomissão Permanente de Igualdade Racial e Inclusão decidiu encaminhar ao Plenário voto de solidariedade e moção de apoio ao jogador do São Paulo Edinaldo Libânio, o Grafite.

A iniciativa partiu do presidente do colegiado, senador Paulo Paim (PT-RS), segundo o qual o atleta teria sido ofendido com expressões racistas pelo jogador argentino Leandro Desábato, durante a vitória do time paulista por 3 x 1 sobre o Quilmes, em partida de futebol realizada na quarta-feira (13), em São Paulo, pela Taça Libertadores da América.

- No momento em que vemos uma onda crescente de atos de racismo no mundo todo e com a agravante de ocorrerem no meio esportivo, onde se tem o mais alto sentimento de realização patriótica e pessoal, não podemos deixar de enaltecer a atitude do atleta Grafite, que corajosamente se pôs contra a discriminação e a injúria do racismo - alegou o senador Paim no requerimento apresentado à subcomissão. A subcomissão funciona no âmbito da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH).

O jogador argentino foi preso em flagrante por um delegado de polícia que estava de plantão no estádio do Morumbi. O senador ressaltou que a detenção de Leandro Desábato foi amparada pela lei nº 7.716/89, de autoria do então deputado Paulo Paim. A lei define os crimes resultantes de preconceito de raça e institui pena de um a três anos de detenção para esse tipo de infração. Segundo Paim, a lei também classifica as expressões injuriosas ligadas ao racismo como crime imprescritível e inafiançável.

- Estamos vendo que cresce no mundo todo o preconceito e o racismo contra os latinos, mais diretamente contra os negros. O Grafite foi agredido pelo jogador argentino de forma desrespeitosa, infringindo uma lei de minha autoria. Todo aquele cidadão que for discriminado por um motivo ou outro deve denunciar.

O jogador Grafite deu um bom exemplo para o Brasil e para o exterior. Também cumprimento a postura da nossa polícia, que de imediato interpelou o jogador que cometeu esse crime e que ainda se encontra na prisão - afirmou Paim, acrescentando que costuma receber com freqüência denúncias de racismo feitas por atletas de diversas modalidades.

- A própria Daiane dos Santos já fez, porque ela é gaúcha e os pais dela são meus amigos. O Ronaldo e o Ronaldinho Gaúcho também já foram agredidos de forma preconceituosa. Precisamos fazer uma campanha contra o racismo em todo o mundo e esses atletas poderão participar.

A Subcomissão da Igualdade Racial  vai ser o fórum adequado para fazermos esse debate e coordenarmos todas as formas de combate ao racismo. Fatos semelhantes a esse ocorrem em outras partes do país e fora dele também. Não é a primeira vez. O Congresso Nacional não pode ficar de fora da campanha internacional contra o racismo e pela igualdade - disse o senador.

Tags:
Edições digital e impressa