O senador Ney Suassuna (PMDB-PB) compareceu sem advogado ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado, nesta terça-feira, na abertura do processo para apurar a quebra de decoro parlamentar. Seu depoimento começou por volta das 10h e seguiu tarde adentro. Ele é um dos três senadores citados no relatório final da CPI dos Sanguessugas, que investiga a participação dele no esquema que ficou conhecido como a máfia da ambulâncias.
Além de Suassuna, são acusados de envolvimento no esquema de fraude os senadores Magno Malta (PL-ES) e Serys Slhessarenko (PT-MG). De acordo com a assessoria do senador paraibano, além de dispensar advogados, Suassuna não vai pedir que a reunião seja fechada. Hoje, o senador deve ainda apresentar sua defesa e poderá indicar testemunhas que prestem depoimento a seu favor.
Suassuna (PMDB-PB) disse, em seu depoimento no processo de envolvimento em esquema das sanguessugas, de compra superfaturada de ambulâncias com recursos provenientes de emenda ao Orçamento, que era inocente e foi cristianizado pela mídia. O senador também disse que esse é o momento de explicar diversas coisas que, segundo ele, "ninguém quis ouvir".
- Quero que seja aberto (o depoimento) para que tudo o país veja minhas alegações - afirmou o parlamentar, que culpou seus assessores pelas falcatruas descobertas pela Polícia Federal.
O senador da Paraíba foi acusado de ter recebido dinheiro da Planam, da conta de um assessor, para apresentação de emendas destinadas à compra de ambulâncias. Suassuna é um dos três senadores acusados de envolvimento no esquema. Além dele, estão sendo investigados Serys Slhessarenko (PT-MT) e Magno Malta (PL-ES). Na última semana, o conselho começou a ouvir testemunhas sobre os casos.
Na semana passada, o presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das Sanguessugas, deputado Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ), disse em depoimento no Conselho de Ética que ouviu de Suassuna (PMDB-PB) que 90% dos parlamentares recebem uma "beirada" das emendas. Este fato foi negado pelo senador e o relator do processo, senador Jefferson Péres, optou por não pedir uma acareação entre os dois:
- É a sua palavra contra a palavra do deputado Biscaia. Seria uma acareação infinita.
Segundo Biscaia, a afirmação foi feita quando o senador paraibano o procurou na sala da CPMI para ver o processo que corre contra ele. Ainda de acordo com o deputado, Suassuna disse que não estava envolvido no esquema, e que isso era "coisa" de seu ex-assessor, Marcelo Cardoso de Carvalho.