Rio de Janeiro, 09 de Maio de 2026

'Stoned' revisa misteriosa morte do fundador dos Rolling Stones

Terça, 20 de Setembro de 2005 às 05:26, por: CdB

A obscura morte de Bryan Jones, fundador dos Rolling Stones e símbolo da revolução dos anos 60, é revista pelo cineasta britânico Stephen Woolley no filme <i>Stoned</i>, no qual afirma que Jones foi assassinado.

- Estou convencido (de que Jones foi assassinado). Não penso que foi pelo álcool ou pelas drogas que ele morreu, como diz a versão oficial - declarou Woolley, depois de ter investido onze anos na preparação deste filme, apresentado na seção Zabaltegi do Festival Internacional de Cinema de San Sebastián.

Bryan Jones morreu afogado em sua piscina em 1969, segundo a versão oficial, sob a influência de álcool e drogas, mas Woolley, que chegou até a "contratar detetives particulares para encontrar pessoas que estiveram com ele naquela noite", sustenta que ele foi assassinado por Frank Thorogood, um operário que trabalhava em sua mansão.

Naquele fatal 2 de julho de 1969, também estavam na casa de Jones sua namorada, Anna Wohlin, e Janet, uma enfermeira. As duas "me contaram a mesma história e que não tinha havido (nenhuma) festa", afirmou o diretor, que conseguiu localizar estas duas pessoas desaparecidas há vários anos.

<i>Stoned</i>, primeiro filme de Woolley, mais conhecido por produzir filmes de diretores como Neil Jordan, faz a reconstrução da vida e morte de Bryan Jones, fundador dos Stones, grupo do qual acabaria sendo expulso por seus excessos, mas vai além e também é um símbolo do choque entre dois mundos: o da rebeldia dos anos 60, encarnado por Jones, e o tradicional de Thorogood.

- São dois mundos distintos. Frank é o Reino Unido daquele tempo, a vida real, enquanto Jones representa as pessoas, a imaginação daqueles anos - explicou Woolley.

Os dois homens mantiveram uma relação praticamente de amor e ódio, no qual Frank se vê arrastado pela força de Bryan, mas parece se negar a sucumbir ao mundo que o ex-Stone representa.

- São dois pólos opostos que se atraem. Frank é tradicional e Bryan está na primeira fila do que foram aqueles anos 60", explicou o ator Leo Gregory, que interpreta o fundador dos Rolling Stones.

Gregory não esconde o desafio que representou para ele interpretar este papel porque, assim como muita gente, "não tinha nem idéia de quem era este personagem".

- Todo mundo conhece as mortes trágicas de Jimmy Hendrix e Janis Joplin, mas não esta - lembra Gregory, para quem este "tipo de papel é o sonho de qualquer ator porque não se trata de um simples desconhecido, mas de alguém que significou e significa muito para muita gente".

Gregory está excelente neste filme de ritmo rápido - assim como eram aqueles anos de sexo, drogas e rock'n'roll -, no qual a trilha sonora tem um papel importante, embora curiosamente não haja nenhuma música dos Stones.

- As canções conhecidas dos Stones são, em sua maioria, de Keith (Richards) e Mick (Jagger). Eu preferi pôr a música que Bryan fazia ou o inspirava - explicou o cineasta. Como resultado, o filme é entrecortado por músicas como <i>Love in vain</i> e <i>Stop breaking down</i>, de Robert Johnson, <i>Ballad of a thin man</i>, de Bob Dylan, ou <i>Not fade away</i>, de Buddy Holly.

Nem Woolley nem Gregory falaram com qualquer membro dos Rolling Stones para fazer o filme, pois o diretor teve o "cuidado de que não houvesse contato. Este e um filme sobre Bryan Jones, não sobre os Rolling Stones".

- Se a enorme empresa que são os Rolling Stones entrasse neste projeto, teria que fazer o jogo deles e eu não queria isso - alegou Wooley, cujo filme ainda não foi visto por nenhum dos músicos do grupo.

Apesar disso, por mera coincidência o filme é lançado quase ao mesmo tempo que o novo disco e turnê dos Stones. Gregory reconhece que "obviamente o que for publicado sobre os Stones pode ser bom para o filme".

Por enquanto, <i>Stoned</i> só foi apresentado nos festivais de Edimburgo, Toron

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