Rio de Janeiro, 14 de Março de 2026

STF derruba liminares e governo retoma obras polêmicas no Rio São Francisco

Com a suspensão do efeito das liminares concedidas por juízes de primeira instância que impediam o início das obras de transposição das águas do Rio São Francisco, por uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), começaram na manhã desta quarta-feira as primeiras movimentações para a retomada dos projetos. A decisão do ministro Sepúlveda Pertence dá início à obra de captação de 2,3% da vazão anual do rio para abastecer as bacias hidrográficas do Nordeste e a geração de energia pelas usinas de Paulo Afonso, Xingó e Itaparica. Esta decisão havia sido embargada após greve de fome do bispo de Barra (BA), dom Luiz Flávio Cappio, em setembro do ano passado. (Leia Mais)

Quarta, 20 de Dezembro de 2006 às 07:49, por: CdB

Com a suspensão do efeito das liminares concedidas por juízes de primeira instância que impediam o início das obras de transposição das águas do Rio São Francisco, por uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), começaram na manhã desta quarta-feira as primeiras movimentações para a retomada dos projetos. A decisão do ministro Sepúlveda Pertence dá início à obra de captação de 2,3% da vazão anual do rio para abastecer as bacias hidrográficas do Nordeste e a geração de energia pelas usinas de Paulo Afonso, Xingó e Itaparica. Esta decisão havia sido embargada após greve de fome do bispo de Barra (BA), dom Luiz Flávio Cappio, em setembro do ano passado.

Segundo o Ministério da Integração Nacional, o projeto está orçado em R$ 4,5 bilhões e já tem garantidos R$ 101 milhões no Orçamento Geral da União para 2007. Para o ministro, os juízes que haviam concedido as liminares não poderiam ter decidido sobre o assunto, uma vez que o Rio São Francisco corta vários Estados e por isso caberia ao STF o julgamento, unificando o foro e evitando "decisões dissonantes sobre um mesmo tema". O religioso baiano, no entanto, discorda do ministro.

- O governo tem seguido fielmente aquilo que foi proposto. Essa ação (o novo edital, que levou o STF a suspender as liminares contra as obras) é do Ministério da Integração Nacional, que caminha paralelamente às determinações do governo federal e gera uma indisposição dentro do próprio governo - disse ele a jornalistas.

Sepúlveda Pertence rejeitou dez pedidos de liminares feitos pelo Ministério Público, pela Ordem dos Advogados do Brasil e por entidades de defesa do meio ambiente, que alegaram não ser completo o estudo de impacto causado pelo projeto. Segundo o ministro, o licenciamento pode ser expedido antes da conclusão do estudo:

- Não há qualquer determinação para que o estudo esteja concluído antes do término do licenciamento - afirmou.

Em sua  decisão, o ministro lembrou ainda que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama)  convocou para debates todas as entidades envolvidas com a questão, e por várias vezes, mas grande parte dos interessados, como os havitantes das regiões afetadas pela transposição, não atendeu aos convites:

- Não se pode imputar, contudo, ao Ibama ou ao empreendedor, a frustração parcial das audiências programadas - disse.

Impacto desconhecido

A Agência Nacional de Águas (ANA) estima que até 2025 a região Nordeste poderá enfrentar um agravamento nos problemas de abastecimento de água, o que prejudicaria cerca de 41 milhões de habitantes desta região. O alerta é feito na publicação do órgão intitulada Atlas Nordeste. Para a solução do problema a Agência sugere uma lista de obras como a perfuração de poços. Porém, estas obras necessitam de recursos, o que o órgão estipula que seja em torno de R$ 3, 6 bilhões.

Para Sérgio Moraes, coordenador técnico do estudo produzido durante 18 meses, o problema foi gerado por questões como a estrutura obsoleta de algumas obras já existentes.

- O problema tem dois componentes: um é a própria escassez hídrica da região, isto é a quantidade de água disponível para o abastecimento. O segundo componente é a questão da infra-estrutura que hoje existe, ou seja o sistema que leva água até o município. Muitas vezes esta estrutura está obsoleta e necessita de ampliação - disse.

O projeto de transposição das águas do Rio São Francisco não consta do estudo como solução para deter esta possível falta de água e seu impacto não pode ser medido por qualquer forma de cálculo. Segundo entidades como o Comitê da Bacia do Rio São Francisco, o projeto de transposição atenderá diretamente a apenas 5% da superfície do semi-árido. Para Dom Luiz Cappio, Bispo de Barra (BA), obras de melhoria na infra-estrutura seriam realmente a solução.

- Não deve depender do rio São Francisco o abastecimento do Nordeste porque

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