Rio de Janeiro, 11 de Agosto de 2026

Stédile participa de megaorganização dos pobres no Brasil

Os movimentos sociais no Brasil estão unidos - como nunca estiveram, na história brasileira - e vão iniciar, entre os dias 8 e 13 do mês que vem, a jornada para uma aliança popular: a Articulação dos Movimentos Sociais, que une CUT, UNE, MST, movimentos populares suburbanos, pastorais sociais e igrejas. Um dos organizadores deste, e de outros movimentos, João Pedro Stédile - que agitou parlamentares, ministros, governadores e outras áreas da sociedade na semana passada - anuncia que os pobres brasileiros estão mobilizados. Como ele afirmou, já não buscam mais cestas básicas ou qualquer paliativo à fome endêmica, "mas trabalho e dignidade". (Leia Mais)

Sábado, 02 de Agosto de 2003 às 14:25, por: CdB

Os movimentos sociais no Brasil estão unidos - como nunca estiveram, na história brasileira - e vão iniciar, entre os dias 8 e 13 do mês que vem, a jornada para uma aliança popular: a Articulação dos Movimentos Sociais, que une CUT, UNE, MST, movimentos populares suburbanos, pastorais sociais e igrejas. Um dos organizadores deste, e de outros movimentos, João Pedro Stédile - que agitou parlamentares, ministros, governadores e outras áreas da sociedade na semana passada - anuncia que os pobres brasileiros estão mobilizados. Como ele afirmou, já não buscam mais cestas básicas ou qualquer paliativo à fome endêmica, "mas trabalho e dignidade".

Em entrevista exclusiva ao Jornal do Brasil, publicada neste domingo, o economista e figura central do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra aproveita para mandar um recado ao ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues. Stédile avisa que não é inimigo dos fazendeiros que se modernizaram e tornaram suas terras produtivas. Estes, afirma, ocupam fazendas de, no máximo, mil hectares. Quem está na alça de mira do MST, segundo o líder sem-terra, são os "latifundiários que, sozinhos, ocupam 178 milhões de hectares" no Brasil. Ele não admite que uma só empresa seja dona de uma fazenda com 2 milhões de hectares.

Stédile acusou setores da imprensa gaúcha de manipular as informações de maneira a criar um estado de instabilidade política no país. Ele também acredita que ainda é cedo para avaliar o governo Lula, esperançoso de que se inicie a reforma agrária no país a partir do próximo semestre. No entanto, nem o presidente, o PT ou qualquer outra força política no país, segundo Stédile, será capaz de barrar a determinação dos movimentos sociais em conquistar o que consideram de direito, no campo ou nas cidades.

- O que foi exatamente dito naquela reunião com o pessoal do MST que você considerou distorcido pela imprensa gaúcha?

- Eu fiz uma longa exposição, de 40 minutos, na qual expliquei a origem do latifúndio no Brasil. Expliquei as oportunidades históricas que a sociedade brasileira perdeu de fazer, antes, a reforma agrária. Como, por exemplo, na libertação dos escravos, em 1888. Ou em 1930 e em 1964.  Todas as sociedades modernas e industrializadas chegaram a este estágio porque democratizaram a propriedade da terra. E acrescentei que, infelizmente, essa herança perversa de 500 anos havia produzido uma sociedade desigual e contraditória. Agora temos, de um lado, um por cento dos grandes proprietários, que somam cerca de 26 mil latifundiários, e possuem sozinhos 178 milhões de hectares, e na outra ponta, temos 23 milhões de pobres vivendo no campo.  A desigualdade social produzida é tão grande e injusta que, agora, produz-se uma nova conjuntura favorável. Há uma correlação de forças que expõe tamanha diferença social.

- Mas como aconteceu esse mal entendido?

- Disse que, portanto, era muito fácil fazer a reforma agrária, pois em cada latifúndio poderíamos colocar mil pessoas, que são muito mais fortes e importantes do que uma só pessoa.  Além disso, temos um governo popular, comprometido com a reforma agrária. O foquinha (repórter iniciante) mal intencionado gravou, e enviou para seus chefes, que "descobriram" na palestra, uma declaração de guerra.  Do ponto de vista jornalístico, temos uma situação de absoluta falta de ética profissional, além uma vergonhosa e costumeira manipulação dos fatos, pela empresa do Rio grande do Sul.
 
- Há, na sua opinião, alguma manobra deliberada por parte de setores da imprensa, para causar instabilidade social no país?

- No caso especifico do Rio Grande do Sul, enfrentamos um verdadeiro monopólio dos meios de comunicação e uma prática aética de uma empresa que ataca, constantemente, os trabalhadores, a esquerda no Brasil.  E se transformou num verdadeiro partido da direita gaúcha.  Infernizou a vida do govern

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