Considerado o ideólogo do MST, o economista João Pedro Stedile foi nesta sexta-feira de manhã ao Palácio do Planalto apresentar propostas para acelerar o processo de assentamento no país, mas não disse com quem se reuniria.
Um encontro de cerca de 15 minutos terminou na noite desta quinta-feira com promessas de colaboração entre o Movimento Rural dos Trabalhadores Sem Terra e Severino Cavalcanti (PP-PE), presidente da Câmara, tido como um político conservador.
O encontro ocorreu uma semana depois de a UDR (União Democrática Ruralista), arquiinimiga do MST, ter visitado a Presidência da Câmara sem ser recebida por Severino, que mandou um representante.
Stédile pediu a Severino sua ajuda para projetos e ações de interesse do movimento. Stedile citou dois: a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional que desapropria terras em que existe trabalho escravo e a rejeição da Lei de Biossegurança, em tramitação na Câmara.
- Viemos pedir seu apoio, porque o clima de consternação no campo, especialmente após o assassinato da freira Dorothy Stang, é grande e requer a união de diversas entidades - disse Stedile.
Para ele, a aprovação da PEC enviaria um sinal a um setor "truculento, apesar de minoritário" dos fazendeiros. Com relação à Lei de Biossegurança, o MST e Severino mantêm aliança tática. Os sem-terra se opõem aos transgênicos, enquanto Severino, católico, é contra pesquisas com células-tronco.
- Fiquem tranqüilos que não terei idéia fixa de criar empecilhos à atuação do movimento - disse Severino.
Ele prometeu pôr os projetos em votação, mas não se comprometeu com nenhuma posição.