A África foi unanimidade nesta 21ª edição do São Paulo Fashion Week, que terminou após sete dias de desfiles na noite da terça-feira. A grande surpresa foi a moda masculina, que, na opinião de editoras de moda, foi superior às criações femininas exibidas.
- Para uma situação econômica tão frágil, até achei que a edição foi bastante consistente, correta - disse a consultora de moda Gloria Kalil.
- Não foi uma estação de grandes rupturas, especialmente no feminino, que achei muito calmo. No masculino nós ainda tivemos uma coisa mais forte, mais ousada, mais nova - disse.
Entre as coleções masculinas favoritas de Kalil estavam Maxime Perelmuter, Alexandre Herchcovitch, Lino Villaventura e Ricardo Almeida.
- O Villaventura fez uma coleção de homens belíssimos, com roupas enfeitadas, mas muito cool - disse.
- E o próprio Ricardo Almeida, dentro do clássico, fez uma coisa bem ajustada, moderna. Os homens estão com belas opções para a estação - ressalta.
Nas coleções femininas, destacou-se uma nova sensualidade, segundo Lilian Pacce, editora de moda e apresentadora de TV. Para ela, o verão será mais romântico do que sexy, e muito leve.
- As meninas da Raia de Goeye sabem aproveitar muito bem essa nova sensualidade, porque tem aquela coisa dos vazados nas roupas, que revelam o corpo, mas não escancara - disse Pacce.
Ela também citou Herchcovitch como um dos melhores momentos do evento, principalmente a coleção feminina, inspirada no grupo étnico Ndebele, da África do Sul.
- Ele usou um tema que poderia facilmente virar muito traje típico, mas não, ele criou uma imagem muito forte - disse.
Verão na África
Nesta edição, o idealizador do SPFW, Paulo Borges, organizou uma viagem à África do Sul para as pessoas envolvidas no evento, como a cenógrafa Daniela Thomas, que coloriu de temas africanos o espaço da Bienal, no parque Ibirapuera.
Vários estilistas também olharam para diversos temas com ares de África, como Vide Bula, Villaventura, Miguel Vieira, Mario Queiroz, Zoomp e Herchcovitch.
- Em moda, a gente diz que não existem coincidências - disse Pacce.
- Quer dizer, é um desejo que está ai, talvez o desejo de um novo folk, um novo étnico. Diante de tanta tecnologia, talvez a gente esteja buscando coisas realmente originais, como esses povos primitivos que ainda não sofreram influência do homem moderno - ressalta.
Já Kalil acredita que isso faça parte do ciclo da moda.
- Às vezes a moda favorece o Japão, daí as estampas são japonesas e as mangas quimono entram em moda. Às vezes a moda favorece a China e a gente usa aquela golinha Mao. Desta vez é a África, que além do mais é uma coisa muito colorida, muito próxima do gosto brasileiro. As estampas africanas e os adornos com as miçanguinhas, isso tudo vai dar certíssimo - disse.
As duas especialistas concordam que o vestido curto, tipo trapézio, será a peça-chave para o verão. Outros destaques são os macaquinhos e macacões, além das variações destas peças em salopetes, calças e vestidos. Nos pés, muitas plataformas.
- A tendência aqui é vestido curto. Existe um movimento de anos 1950, mas isso realmente é uma roupa mais especial, não para o dia-a-dia. Na rotina, é o vestido mais soltinho, que desce em A, ou franzido ou com babadinho - apostou Pacce, que acredita nas cores do pôr-do-sol e muito branco para a temporada.