Encomendada pela organização "Rede Nossa São Paulo" e divulgada já em alusão ao aniversário de 457 anos da capital paulista - a ser comemorado na próxima 3ª feira (25) - pesquisa IBOPE mostra que o paulistano reprova o seu transporte público, e que a tarifa é o ponto (inclui, também, o trânsito) mais criticado quando o assunto é mobilidade urbana na cidade.
Na pesquisa - denominada "Indicadores de Referência de Bem-Estar no Município" (IRBEM) - o item mobilidade urbana recebeu nota 3,6 em uma escala de 0 a 10. O levantamento foi feito entre 29 de novembro e 12 de dezembro pp., antes do anúncio do aumento da tarifa dos ônibus municipais da Capital (de R$ 2,70 para R$ 3) dia 5 de janeiro. Este aumento elevou, também, as tarifas de integração do metrô e dos trens de subúrbio da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) que voltam a subir agora em fevereiro, mês de seu reajuste.
Na pesquisa, os paulistanos responderam sobre 169 itens retirados de um total de 25 temas. Ainda na mobilidade urbana, o respeito ao pedestre recebeu nota 3,6; a quantidade das ciclovias na cidade e a segurança no trânsito 3,7; e a qualidade das calçadas 3,9.
Impacto do Estado e Prefeitura tinha que ser maior
“Uma das questões que impactam na qualidade de vida é a mobilidade. A prioridade nos investimentos públicos está sendo no transporte individual. Só nas (avenidas) marginais - transporte individual - foram mais de R$ 2 bi, quando a prioridade teria que ser no transporte público. Este um é fato preocupante” observou Oded Grajew, coordenador da Rede Nossa São Paulo durante a divulgação da pesquisa.
Dois outros setores na Capital paulista também ficaram com nota baixa: Educação – o acesso ao ensino superior de qualidade e respeito e valorização dos professores recebeu nota 4,8; e a Saúde, com a pior avaliação sendo conferida ao tempo médio entre a marcação e realização de consultas - nota 3,4. As campanhas de vacinação ficaram com nota 7; meio ambiente, a qualidade do ar, nota 4; e a despoluição de rios, lagos e represas nota 3,9. De acordo com o levantamento, a satisfação geral do paulistano com a sua qualidade de vida pouco variou – a nota passou de 4,8, em 2009, para 5, em 2010.
A pesquisa também avaliou a confiança dos paulistanos nas principais instituições da cidade. Nesse ponto os bombeiros e os Correios são as mais confiáveis, com 94% e 92%, respectivamente. A outra pergunta feita pela pesquisa, sobre qual instituição mais contribui para melhorar a qualidade de vida, o governo federal foi o mais citado, por 21% dos entrevistados, seguido pela igreja (12%), Prefeitura (10%), meios de comunicação (9%) e Governo Estadual (6%).
“O que melhorou no Brasil ultimamente foi muito a questão econômica, o emprego. Isso faz com que as pessoas se sintam com melhor qualidade de vida (porque) tem os programas do governo federal. Isso a gente avalia como um dado negativo, porque o impacto tinha que ser melhor do Estado e mais ainda da Prefeitura”, afirmou Grajew.