Em assembléia realizada na manhã desta quinta-feira, os metroviários de São Paulo decidiram suspender a paralisação iniciada à 0h e que prejudicou cerca de 3 milhões de passageiros transportados diariamente pelo sistema. Devido à greve, o rodízio de veículos foi suspenso durante todo o dia, e a cidade teve recorde de congestionamento do ano no período da manhã, com 172 km.
A expectativa do presidente do Sindicato dos Metroviários, Flávio Godoy, é de que os trens voltem a circular ainda nesta quinta-feira, período previsto para que os funcionários voltem a seus postos de trabalho.
A pauta de reivindicações inclui a reintegração de dois diretores do sindicato demitidos após protesto em abril. A categoria também quer correção dos salários pelo ICV-Dieese (3,09%) e aumento real de 9,98%. A data-base é 1º de maio.
Inicialmente, a proposta de reajuste enviada pelo Metrô foi de 3,37%, rejeitada pelos metroviários. Durante a madrugada desta quinta, representantes do sindicato se reuniram com o secretário estadual dos Transportes, José Luiz Portella, e ouviram uma contraproposta que prevê reajuste de 4,35% para os salários e de 3,09% para os benefícios. No encontro, que terminou às 3h20, os metroviários concordaram em diminuir de 96 para 20 o número de reivindicações, e o secretário se comprometeu a avaliá-las.
No final da manhã, Godoy afirmou que a categoria estava "dividida" quanto à contraproposta apresentada. Uma das principais barreiras seria a recusa do metrô em reintegrar dois diretores do sindicato demitidos após protesto em abril último.
Trânsito
Para minimizar os transtornos causados pela paralisação, a Secretaria Municipal de Transportes acionou o Paese (Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência), que envolve ônibus municipais, metropolitanos e trens.
Sem metrô e com o rodízio suspenso, o motorista enfrentou trânsito caótico na cidade. Às 9h, a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) registrou 172 km de vias com problemas na cidade, o maior índice do ano no período da manhã. A média para o horário é de 84 km.
Antes, o recorde de lentidão do ano no período havia sido registrado no dia 27 de abril, reflexo da chuva. Na ocasião, às 9h30, a cidade registrou 166 km de vias com problemas. O recorde histórico no período da manhã foi registrado em 4 de novembro de 2004, com 191 km de vias com problemas, devido à chuva e alagamentos.
Rodízio
Devido à greve, o rodízio de veículos está suspenso na cidade durante todo o dia. Com isso, carros com placas finais 7 e 8 podem circular sem restrições.
O rodízio restringe o tráfego no chamado centro expandido durante os horários de pico, das 7h às 10h e das 17h às 20h, por dia da semana, de acordo com o fim da placa do carro.
O rodízio de veículos limita a circulação nas ruas e avenidas internas ao chamado centro expandido, formado pelas marginais Tietê, Pinheiros, avenida dos Bandeirantes, avenida Afonso D'Esccragnole Taunay, complexo viário Maria Maluf, avenida Tancredo Neves, avenida Juntas Provisórias, viaduto Grande São Paulo, avenida Professor Luís Inácio de Anhaia Melo e avenida Salim Farah Maluf.