O grupo garantiu que vai permanecer no local até conseguir uma reunião com o secretário municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, Filipe Sabará
Por Redação, com ABr - de São Paulo:
Cerca de 60 manifestantes ocuparam a Secretaria Municipal de Direitos Humanos na capital paulista desde as 17h do dia anterior. Eles protestam contra as ações feitas pela prefeitura para remoção da população de rua e dependentes de drogas na região da Cracolândia.
Na noite passada, a secretaria de Diretos Humanos, Patrícia Bezerra, renunciou ao cargo por discordância a essa política. Segundo a prefeitura, o secretário de Relações Institucionais, Milton Flávio, assumiu interinamente o cargo.
Os manifestantes estiveram concentrados, na manhã desta quinta-feira, no auditório do prédio, sem prejudicar as atividades da secretaria. A ocupação ocorreu na quarta logo após reunião do comitê da zeladoria urbana na secretaria. O grupo garantiu que vai permanecer no local até conseguir uma reunião com o secretário municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, Filipe Sabará. A prefeitura informou que esta reunião está prevista para ocorrer, mas não forneceu detalhes.
Roberta Costa, integrante da organização comunitária A Craco Resiste, classificou como absurda a repressão contra as pessoas em situação de rua na Cracolândia, que foram expulsas do local em uma grande operação policial no último domingo. “O absurdo não está só na violência e sim na especulação imobiliária”, disse.
Usuários de drogas
Para Roberta, a prefeitura tem adotado uma política higienista no atendimento aos usuários de drogas. A internação compulsória massiva é outro tema criticado pelos movimentos sociais. “As entidades privadas são quem fazem a internação. É muito complicado. Existem estudos que mostram que [a internação] é menos eficiente do que a cura espontânea”, declarou.
Em nota, a prefeitura informou que está focada na expansão do trabalho de acolhimento das pessoas que estavam na região da Cracolândia. “Até a noite desta quarta-feira foram cerca de 2 mil acolhimentos e o trabalho constante de convencimento continua, com o objetivo sempre de oferecer dignidade e tratamento a estas pessoas”.